sábado, 21 de março de 2015
Neste dia nada mais original
que homenagear o príncipe dos poetas, o maranhense Antônio Gonçalves Dias,
mestre da POESIA e da alegria, que poetou como ninguém o Brasil e o Maranhão,
com versos que retratam a nossa terra, a nossa maneira de ser. E com o poema I
Juca Pirama, de Gonçalves Dias, homenageamos a todos os poetas
RESUMO
O poema I - Juca Pirama
possui 484 versos divididos em 10 cantos. O título do poema é tirado da língua
tupi e significa “aquele que vai ser morto.” O poema descreve o drama vivido
por um índio tupi, sobrevivente de sua tribo, que é capturado pelos timbiras e
deve ser morto em um ritual. Porém, deve antes relatar suas façanhas, para
provar que é digno de ser sacrificado.
O tupi revela que deixou
sozinho o pai velho e cego, pedindo para ser libertado a fim de cuidar dele,
que não deve tardar a morrer. Promete voltar a ser prisioneiro depois que o pai
morrer. O cacique timbira consente em libertá-lo, mas sem a promessa de voltar
por não querer “com carne vil enfraquecer os fortes”.
Liberto, o guerreiro tupi
volta ao local onde deixara o pai. Pelo cheiro das tintas no corpo do filho, o
pai percebe que ele fora preso e libertado, o que contraria a ética indígena.
Com indignação, o pai exige que voltem ambos à tribo dos timbiras.
Chegando lá, o filho é
amaldiçoado pelo pai, pois teria chorado em presença dos inimigos, desonrando
os tupis. Para provar sua coragem, o filho se lança em combate contra toda a
tribo timbira. O barulho da disputa faz o pai perceber que o filho lutava
bravamente. O chefe timbira, então, pede-lhe que pare, pois já tinha provado
seu valor. Pai e filho se abraçam, reconciliados, pois a honra tupi fora restaurada.
A história é contada por um velho índio timbira, como uma recordação.
CONTEXTO
Sobre o autor
Gonçalves Dias foi um
importante poeta do romantismo brasileiro. Estudante de Direito em Portugual,
Dias escreveu o famoso “Canção do Exílio” influenciado pela saudade que sentia
do Brasil. O sentimento nacionalista, inclusive, era uma marca da sua escrita.
A visão indianista também estava presente na sua obra, que costumava idealizar
o índio. I-Juca Pirama é uma obra que pode ser inserida nesse estilo.
Importância do livro
I – Juca Pirama é um marco
da poesia indianista no romantismo brasileiro. O indianismo, na poesia
romântica, é a afirmação da nacionalidade e coloca o índio como heroi.
Publicado em 1851 no livro Últimos Cantos, é considerado a obra-prima do autor
pela excelência tanto da forma quanto do conteúdo.
Período histórico
O Romantismo teve início na
1ª metade do século XIX e foi um movimento literário marcado por três gerações
com características específicas. Gonçalves Dias foi um dos principais
representantes do indianismo da 1ª geração, o autor exaltava as qualidades
nacionais.
ANÁLISE
Embora possa ser considerado
um poema narrativo por ter uma história com começo, meio e fim, I-Juca Pirama
tem no lirismo o seu ponto forte. A musicalidade está presente, alternado
versos curtos e longos com rimas que ajudam a dar ao poema o ritmo da aventura
narrada. A métrica também é variada ao longo da obra, o que reforça essa ideia
de alternância.
Um dos temas centrais do
romantismo é a busca das origens da nacionalidade. No caso brasileiro, os
autores foram buscar essa referência nos povos indígenas. Seus valores e
códigos de honra foram exaltados. Como vemos no poema, a história do guerreiro
tupi torna-se uma lenda, recordada muitos anos depois por um velho timbira.
Tanto tupis quanto timbiras só têm bons sentimentos: honra, bravura, amor
filial, piedade. Não somente a honra pessoal, mas a honra de um povo, de uma
nação, ainda que praticamente dizimada. O índio tupi sacrifica conscientemente
a própria vida para que o povo tupi seja lembrado como um povo de bravura
incontestável.
A idealização construída não
permite que valores contrastantes com a civilização do século XIX, como por
exemplo, o canibalismo, influenciem negativamente nessa visão idealizada. Fica
implícito que mesmo depois de toda a conciliação, o guerreiro tupi foi
realmente submetido ao ritual do sacrifício, o que parece natural aos olhos do
poeta, mas certamente muito estranho aos nossos. Devemos, portanto, ler o poema
levando em consideração o contexto cultural da época em que foi escrito e as
tradições indígenas.
AUTOR
Gonçalves Dias, natural de Caxias
(MA), nasceu em 10 de Agosto de 1823
Morreu em 03 de Novembro de
1864 (41 anos), num naufrágio em aguas maranhenses, quando retornava da Europa.
PERSONAGENS
I – Juca Pirama: índio que
segue as tradições, defendendo a honra de seu povo e do seu pai.
Pai de Juca Pirama: um homem
cego e velho, fiel às tradições do povo tupi. Exige que o filho volte para a
aldeia dos timbiras e honre os tupis.
Velho índio timbira: o
narrador da história, é quem conta a história de I – Juca Pirama como um lenda.
(Texto e imagem ilustrativa retirados da internet)
Assinar:
Postar comentários
(Atom)

0 comentários:
Postar um comentário