terça-feira, 12 de janeiro de 2016
O ator, durante recente entrevista com o traficante "El Chapo"
Por suas aventuras jornalísticas, algumas meio obtusas e outras camufladas de sátira, Penn enfrentou muitas críticas.

Na noite de sábado (9), enquanto as pessoas tomavam conhecimento da entrevista de Sean Penn com o barão da droga mexicano Joaquín Guzmán Loera, conhecido como "El Chapo", na revista "Rolling Stone", o próprio Penn estava em Beverly Hills, na companhia de outras celebridades, como Leonardo DiCaprio, Justin Bieber e Patricia Arquette.

Penn, de 55 anos, vencedor do Oscar de ator e de diretor, estava participando de uma festa beneficente para a organização humanitária fundada por ele que está ajudando o Haiti a se recuperar de seu devastador terremoto de 2010.

As muitas contradições percebidas em um momento como este são emblemáticas da carreira de Penn, de muitos anos e diferentes camadas, na qual ele se tornou famoso tanto por seus papéis em filmes, como "Os últimos passos de um homem" e "Sobre meninos e lobos", como por seu ativismo franco, que em várias ocasiões levou-o ao jornalismo, com resultados controversos.

Enquanto Penn ajudou a levantar dinheiro para combater crises internacionais, ele também teve acesso e escreveu sobre algumas figuras odiadas, como Guzmán, que foi recapturado no México na sexta-feira (8) depois de duas fugas da prisão, e Hugo Chávez, o ex-presidente da Venezuela que morreu em 2013.

Por suas aventuras jornalísticas, algumas meio obtusas e outras camufladas de sátira, Penn enfrentou muitas críticas.

Em declarações ao programa "This Week", da norte-americana ABC, no domingo (10), o senador Marco Rubio, republicano da Flórida, disse que se os atores norte-americanos, como Penn, quiserem "bajular um criminoso e traficante de drogas em suas entrevistas, eles têm esse direito constitucional". Mas Rubio acrescentou: "Eu acho grotesco".

Os leitores não foram muito mais gentis. Horas, se não minutos depois da publicação do artigo da "Rolling Stone", Penn começou a ser difamado por seu estilo de prosa autoindulgente e sua atitude desajeitadamente amigável a Guzmán, um criminoso procurado.

"Este homem simples", Penn observa, "que vem de um lugar simples, rodeado pelo simples afeto de seus filhos ao pai, e dele pelos filhos, inicialmente não me parece o tão falado lobo mau".

Além de um aparte sobre seu medo de que seus órgãos genitais possam ser cortados e sua descrição de flatulência na frente de Guzmán, Penn pergunta no artigo da "Rolling Stone": "Nós, o público norte-americano, não somos cúmplices naquilo que demonizamos?". Ele chega a sugerir que, como consumidores, somos cúmplices em cada assassinato, e em cada incidência de corrupção "que vem como resultado de nosso apetite insaciável por drogas ilícitas".

Depois de beber tequila com Guzmán e tecer comparações com o filme de Brian De Palma "Scarface", Penn pergunta ao seu anfitrião como "o atual pandemônio do Oriente Médio" e suas "economias frenéticas de opiáceos" estão afetando o seu comércio de drogas.

Penn é filho de Leo Penn, um ator de Hollywood que foi inscrito na lista negra da era McCarthy por se recusar a citar nomes para o Comitê de Atividades Não Patrióticas da Câmara.

Sean Penn ganhou destaque na década de 1980, como um bad boy temperamental, chamando a atenção por filmes, como "Picardias Estudantis" (fazendo o papel do surfista adorável Jeff Spicoli) e "A traição do falcão" (como um traficante de drogas que é atraído pela KGB). Ele teve um casamento tumultuado com a cantora Madonna, que terminou em divórcio, e teve uma curta sentença de prisão quando socou um figurante em um set de filmagem.

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