segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Por: Rafael dos Santos Marques
O segundo filme veio mais amadurecido tanto no enredo, como nos efeitos especiais e na atuação. O melhor do filme continua sendo o fato de que nós enquanto ludovicenses, upaon-açuenses e maranhenses, nos reconhecemos em cada beco, rua, esquina, praça, rua, nos dizeres, vocabulário, gírias, sotaque, no biotipo das pessoas, no folclore, nas lendas, cultura popular, história, gastronomia.....ou seja, um filme feito por maranhenses e para os maranhenses especialmente, com o nosso jeito único de ser, a nossa luz própria, a nossa idiossincrasia; a nossa brasilidade muito original e própria deste canto do Brasil onde o Nordeste encontra o Norte e onde a miscigenação é a maior marca deste povo alegre, brincalhão, simples e caloroso. O "Muleque Té Doido 2" é um instrumento educacional importante que desperta em cada cidadão maranhense o sentimento de pertencimento e de valorização de nós mesmos.
Assim sendo, o filme também é um grande cartão postal para quem não é deste torrão. Para quem quer descobrir as nossas belezas naturais e a nossa rica cultura.
A trama que nos lembra as nossas lendas mais populares, agora nos remete ao sebastianismo ainda presente em alguns locais do Brasil trazido na bagagem dos colonizadores portugueses e que aqui no Maranhão se eternizou na comunidade da fantástica Ilha dos Lençóis, no Arquipélago de Maiaú nas Reentrâncias Maranhenses - um dos locais mais belos, desconhecidos e ainda semisselvagem do nosso litoral - na forma de um touro negro com uma estrela na testa. A batalha entre os ibéricos e os mouros no Marrocos se faz presente e atual no filme, assim como a dos portugueses contra os franceses, como sugere a continuação do mesmo.
O teor humorístico e bem característico acontece tal qual o primeiro, sem novidades. No entanto, a estória é tão ou ainda mais envolvente que a do primeiro, que nos faz rir da mesma forma e nos faz refletir mais uma vez que o tesouro é a nossa casa e somos nós mesmos: voltar à São Luís do século XIX e entrar em uma festa da época "à la portuguesa", se emocionar com as belas imagens áreas das Ilhas de São Luís e Lençóis, se deliciar com alguns dos nossos pontos turísticos, vibrar com a trilha sonora recheada de ritmos maranhenses, refletir sobre o racismo e o preconceito ainda hoje presentes contra os negros e homossexuais, se encantar com o belíssimo Por do Sol cotidiano em nossa cidade, sentir saudades dos pregoeiros, sentir vontade de ler mais e de frequentar a Biblioteca Pública Benedito Leite, "se ver" na figura do cazumbá e do fofão, admirar o nosso centro histórico e ver a importância de sua conservação, sentir a pancada da sequencia dinamitadora........
Enfim, só nos resta parabenizar e agradecer ao Erlanes e a todos os profissionais que fizeram este poderoso "MULEQUE TÉ DOIDO 2". Poderoso porque, apesar de tudo, ainda sobram motivos para termos ORGULHO DE SERMOS MARANHENSES e AMOR PELA NOSSA TERRA, e este filme nos lembra disso, de uma forma descontraída e com a nossa cara.
Imagem Ilustrativa: Internet
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