Assembleia Legislativa do Maranhão

sexta-feira, 21 de abril de 2017
Região tem atrativos que vão além das famosas dunas e suas águas cristalinas

SÃO LUÍS - Do alto, a imensidão de água faz o rio parecer mar. E vira, de fato. A vista da chegada em São Luís exibe o emaranhado de águas recortado pelo verde intenso da mata. Parece uma constante na capital, e principalmente Maranhão adentro: existe o lado urbano, simples, cercado por uma natureza que impressiona os turistas.

A estrela é o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, a cerca de quatro horas de São Luís, com suas dunas de areia cravejadas de lagoas cristalinas. O ápice da visita acontece de junho a setembro, com as lagoas cheias após o período de chuvas.

Mas os atrativos no chamado deserto brasileiro vão além do banho nas suas piscinas naturais. Durante todo o ano, os Lençóis também são beleza — e aventura. A oferta vai de stand up paddle no Rio Preguiças à descida de boia no Rio Formiga, passando por passeios aéreos, kitesurf ou três horas entre dunas e lagoas no comando de um quadriciclo.

O tráfego do veículo é proibido dentro do parque, mas permitido no entorno, de geografia bem parecida. É o caso do passeio do povoado do Caburé à cidade de Barreirinhas.

Nesta época de pré-temporada — de março a maio — nem sempre tem sol forte ou céu azul, mas o mergulho nas lagoas fica menos concorrido naquela vastidão de água e areia. E os preços, certamente, mais negociáveis.

Influências portuguesa e francesa em São Luís

Se há tempo, vale uma parada em São Luís. O Centro Histórico, de marcadas influências portuguesa e francesa, passa por um necessário projeto de restauração. E prepare o apetite: frutos do mar e o arroz de cuxá, feito com camarão, farinha de mandioca e uma folha de sabor forte, a vinagreira, são destaques. E ainda tem o guaraná Jesus, um ícone — rosa e controverso — da região.

A uns 250 km da capital, Barreirinhas é a base mais conhecida para entrada no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. A cidade de 60 mil habitantes se expande com o turismo e varia as atrações.

Além do ecoturismo de aventura, cresce o resgate das tradições locais: algumas empresas oferecem visitas às casas onde famílias se reúnem para fazer farinha de mandioca.

E, Rio Preguiças adentro, chega-se a Atins, um povoado felizmente ainda pouco explorado (a energia elétrica só chegou ali no ano passado).

Na cidade de uns três mil moradores, as ruas são de areia fofa, muitas casas não têm tijolo, e a simpatia é farta — assim como o peixe e o camarão frescos, servidos com suco do caju tirado de alguma árvore por perto.

Uma certeza: não falta o que fazer. Às vezes falta é tempo. Só que o Maranhão não combina com pressa.

Adrenalina em SUP e boia, e a cultura da mandioca

A estrada é uma pista: há muitos Brasis dentro do Brasil. Rumo a Barreirinhas, a vista exalta simplicidade. Passam bicicletas, carros de boi e crianças correm, algumas sem roupa, pelo quintal de casas humildes.

No fim de tarde, famílias e vizinhos se sentam para conversar na calçada — de porta aberta, com uma TV ligada ao fundo. À noite, tem um centrinho animado, e a avenida beira-rio vira point de bares e artesanato. O número de pousadas cresce, assim como é constante a passagem das caminhonetes adaptadas ao chão de terra, as chamadas jardineiras, toyotas com capacidade para até 13 pessoas.

Presentes também são os rios, e neles flui a vida da região. O Rio Preguiças, assim conhecido por seu curso lento e sinuoso, responde pelo sustento de muitas famílias locais de pescadores.

Ao lado dos barcos, vez ou outra corre um... stand up paddle. A novidade pegou no povoado de Tapuio, em Barreirinhas. Para chegar lá é preciso passar por uma travessia em balsa (R$ 5), ao lado de jipes e quadriciclos. Dura uns cinco minutos. Outro bom tempo estrada de terra adentro e se chega a uma prainha formada nas águas tranquilas do Rio Preguiças, com seus longos 120 quilômetros de extensão.

Ali um instrutor oferece aulas em pranchas de SUP por R$ 100, a hora. Alguns tombos depois (ou não, habilidade a gosto do freguês), no fim ainda é possível recarregar as energias com uma porção de mandioca frita e água de coco na beira da prainha.

Na mesma região renasce a tradição das casas de farinha, instalações usadas por famílias para produzir a farinha da mandioca, alimento base nas mesas do Nordeste. Todo o processo, herdado dos indígenas, é feito ali: após a colheita, a mandioca é descascada, ralada, desidratada e peneirada, antes de ser tostada em fornos grandes, num trabalho braçal igualmente cuidadoso e cansativo. As visitas custam R$ 60 por pessoa, e incluem transporte e detalhes sobre a prática.

— As casas de farinha eram também espaços de convivência: muitas brigas e namoros começavam ali — diz o professor e monitor cultural José Maria Diniz Araújo.

Barreirinhas tem três acessos ao Parque Nacional dos Lençóis; outros dois ficam em Atins e em Santo Amaro, na mesma região. A área do parque foi oficializada como tal em 1981. São 155 mil hectares — 90 mil só de dunas. O resto se divide entre restingas, mangue e costa marinha. Somente transportes autorizados podem circular por ali, e em trechos limitados — depois, apenas caminhadas são permitidas. E é bom preparar as pernas para o sobe-e-desce na areia.

Confira abaixo, em 360 graus, a travessia de balsa em Barreirinhas pelo rio Preguiças. O outro lado da margem dá acesso à comunidade tapuio e a uma das entradas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Esperança viva o ano todo

No acesso que dá à Lagoa da Esperança, uma das mais famosas, a descida desafia a gravidade. O consolo: se cair, ao menos a areia é fofa. As águas dessa lagoa não dependem da chuva — são abastecidas pelo Rio Negro, o que torna a Esperança viva o ano todo. O passeio sai em média a R$ 100 por pessoa.


É bom também levar um lanchinho. Não há barracas ou ambulantes por perto. Para os locais, o segredo do paraíso é justamente preservá-lo assim, sem burburinho.

— Nasci e fui criado aqui. Já tive propostas de trabalhar em outros lugares, mas não troco isso por nada. Sempre tem uma paisagem diferente para descobrir — diz o guia Jairon Souza Aguiar.

Descida à vista!

A uma hora do centro de Barreirinhas, no pequeno povoado de Cardosa, município de Paulino Neves, mais um rio rouba a cena. O Formiga vira piscina para crianças da região, ponto de lavar roupa e... rota de boia-cross.

O passeio dura cerca de uma hora (R$ 80) entre vegetações e comunidades ribeirinhas. Boa parte do trajeto é de calmaria, ideal para deitar na boia e se deixar levar ao sabor da água fresca do rio. Só é preciso atenção para não “bater” nos galhos — há guias que ajudam na descida.

A aventura mistura relaxamento e adrenalina, com a natureza no comando. E no fim ainda tem uma lanchonete caseira que oferece cafezinho e tapiocas deliciosas com manteiga ou leite condensado e coco.

Menos wi-fi e mais paz nos Lençóis

Atins é o lado menos badalado e mais autêntico dos Lençóis: um vilarejo onde sobra paz e faltam wi-fi e sinal de celular. Fica a apenas uns 30km de Barreirinhas, mas o acesso é, literalmente, uma viagem. De caminhonete são mais de duas horas. Na lancha voadeira se faz na metade do tempo, mas o bacana são as paradas nas comunidades ao longo do (ele de novo!) Rio Preguiças. Aí a viagem pula para três horas, mas vale a pena.

É um passeio para apreciar: se avista uma variedade de pássaros e também árvores como igarapés, buritis, e mangues, essenciais para o ecossistema local. Ao lado, sempre passa um barco de pescador buscando a sorte do dia.

Quer saber como é a travessia de lancha voadeira pelo rio Preguiças, rumo a Atins?

De vila em vila

A primeira parada é Vassouras, vila de pescadores a uma hora da partida de barco. De longe já se veem algumas dunas e faixas de água transparente, em paralelo ao curso do Rio Preguiças. Tem ainda garças, bodes e gado ao longe na paisagem de restinga e areia. E macacos chamam os turistas em busca de frutinhas. A navegação continua até Mandacaru, outro vilarejo de pescadores que abriga o famoso Farol Preguiças, construído em 1909.

Uma simpática inscrição na parede recebe os visitantes: “Se marcares ao largo o lampejo de um farol a mostrar o caminho, saberás ser o nosso desejo que jamais tu navegues sozinho”.

A subida de 160 degraus cansa, mas compensa: do alto se veem a infinidade de dunas, a imponência do rio, o Atlântico, o encontro entre água doce e salgada. O farol fecha às 17h. Com ele, fecha boa parte do comércio, e o vilarejo parece quase fantasma.

De volta ao cais, a seguinte parada é Caburé. É o braço de dunas entre o rio e o mar, e de onde saem outras travessias. O passeio de lancha de Barreirinhas a Caburé, com essas paradas, custa em média R$ 70 (por pessoa), sendo o passeio em grupo. Lancha privativa com 4 a 12 pessoas sai a partir de R$ 400. E por R$ 95 por pessoa (passeio em grupo), chega-se a Atins.

A praia de rio e a praia de mar são uma delícia, mas o atrativo maior, claro, é o parque. O acesso é menos procurado que o de Barreirinhas, e as lagoas aparecem em profusão, uma mais bonita do que a outra, embora menos cheias do que na alta temporada.

A chegada é nas caminhonetes jardineiras (foto), para até 13 passageiros, e o passeio custa R$ 90 por pessoa. As duas lagoas mais famosas nesse trecho de Atins são a Verde e a do Guajiru, mas dependendo da disposição do guia — e do grupo — a ida a outras lagoas fora dos roteiros tradicionais é negociável.

— Vivenciar o Maranhão é diferente de visitar. Esse é um lugar místico, mágico — define o guia e monitor ambiental J. Júnior, famoso na região.

Abaixo, um passeio pelo vilarejo de Atins e algumas vistas do parque nacional.

13 andares de dunas

Prepare-se mais uma vez para caminhar bastante, e se deslumbrar com a magnitude das dunas. Algumas chegam a 40m de altura (equivalente a um prédio de 13 andares).

Na hora do almoço, dois restaurantes, mais afastados das dunas, disputam os turistas famintos. O restaurante do Antônio (Canto de Atins), e o da Luzia. Os destaques são peixe fresco e um generoso camarão na brasa. No restaurante do Antônio, é a mulher dele, Magnólia, quem prepara a comilança há uns dez anos, num forno a lenha decorado com conchinhas.

Se ainda sobrar energia, a aventura continua. Desta vez, de quadriciclo. O passeio sai do Caburé, a uns 15 minutos de lancha voadeira de Atins. É uma área de proteção ambiental (APA), mas o quadriciclo é permitido — no parque, não. A paisagem de dunas, porém, é praticamente a mesma, embora a areia tenha um tom pouco mais amarelado.

O aluguel custa R$ 350 para duas pessoas na volta a Barreirinhas. Instrutores ensinam ali mesmo como dirigir: “O acelerador é na mão direita, e a troca de marcha é no pé esquerdo”, repetiam.

São três horas de viagem entre paisagens inacreditáveis, casas simples, paradas para mergulhos e eventuais atolamentos em lagos ou subidas de dunas. Sim, é um passeio radical, com pitadas de adrenalina e uma vontade danada de ficar ali só olhando como a natureza é linda.

Azulejos e muita História na capital

O nome é homenagem a um rei da França, Luís XIII, e não à toa: foram os franceses que fundaram São Luís, a capital maranhense. Daniel de La Touche comandou a expedição que em 1612 chegou àquelas terras. Depois vieram os holandeses, e então os portugueses, que colonizaram a região habitada por indígenas. Essa mistura de influências fica estampada entre os ludovicenses (como são chamados os que nascem em São Luís) e em boa parte do Centro Histórico, declarado patrimônio cultural da Humanidade pela Unesco em 1997.

Igrejas, casarões e azulejos se destacam nas ruas do centro, que passa por uma necessária revitalização.

— Não é fácil manter mais de 400 anos de História imunes numa região com seis meses de sol e seis de chuvas — avisa o guia Leônidas Reis.

Mais uma vez, separe tempo para caminhar bastante. O centro tem cerca de quatro mil imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O passeio começa na Rua Portugal, onde os azulejos dão o ar da graça. Eram tradição para atenuar o calor, e ficaram como um dos símbolos da cidade.

A caminhada segue pela Praça Mauro Machado e a Rua da Estrela — dá para ouvir os ensaios na Escola de Música do Estado do Maranhão — em direção à Sé, ou catedral da Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade. No final está o Palácio dos Leões, sede do governo, com o busto de Daniel de La Touche. Na lateral, há uma bela vista da Baía de São Marcos.

Ao cair da tarde, bares com música ao vivo agitam a região. Nas mesas, o guaraná Jesus divide opiniões. Nem tanto pela cor ou pelo nome, mas pelo sabor adocicado. Em alguns dias há apresentações de tambor de crioula, dança de roda típica. E não faltam referências à festa do bumba-meu-boi.

Na orla, o circuito de praias, que inclui Ponta d’Areia, São Marcos, Calhau e praia do Meio reforça a oferta maranhense de belezas naturais.

A folha que parece, mas não é

Apesar da semelhança, a imagem ao lado nada tem a ver com a cannabis: é a folha de vinagreira, parte de um dos pratos mais ilustres do Maranhão: o arroz de cuxá. De sabor forte e azedinho, é uma folha de hibisco, chamada no Maranhão de vinagreira ou cuxá. Ela dá um toque especial à receita do arroz, que é preparado à base de camarão seco, gergelim, pimenta de cheiro...

e com a polêmica iguaria, que pega de surpresa quem não está acostumado às delícias maranhenses. Dizem que a vinagreira foi trazida e cultivada no Brasil por escravos, e em seguida incorporada ao prato por influência dos hábitos culinários dos portugueses.

Ela pode ser consumida picada, junto com o famoso arroz, ou empanada, como é servida no restaurante Sabina, de São Luís, ao lado de um saboroso peixe fresco. Vale cada mordida — ainda é rica em ferro, minerais e ajuda a emagrecer.

Elisa Martins viajou a convite do Trade Turístico do Maranhão e da Sectur/MA

Fonte: O Globo


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