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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

De um saber popular único, alta capacidade organizativa, resistência e força, as quebradeiras de coco babaçu vão fazendo história e contando essa experiência em diálogos de troca de saberes. É o que acontecerá no evento “O Cerrado em toda parte”, no próximo dia 09/10 no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro.  Uma programação especial foi organizada, das 10h às 17h, com palestras debates, atividades para crianças e jovens e exibição de filmes. As inscrições, que são gratuitas podem ser realizadas no site do museudoamanha.org.br.  A realização do evento é do Museu do Amanhã com a ActionAid e a Rede Cerrado, o evento tem apoio do Critical Ecosystem Partnership Fund, da DGM Brasil e da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.   

A relação de bem viver que as quebradeiras de coco babaçu mantêm com o meio ambiente em especial as florestas de palmeiras babaçu e o cerrado (vários estados de atuação do MIQCB estão inseridos no bioma cerrado) será também foco dos debates no painel Observatório do Amanhã. Para dona Maria do Socorro Teixeira Lima, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), a relação é de respeito com a nossa mãe palmeira, não existe apropriação, mas sim o sentimento de pertencimento com o território e nossa luta vai além do acesso livre ao território, as mulheres  são incentivadas a refletir sobre a sua condição, sobre as relações de gênero, gerações e etnias, bem como, a encontrar soluções conjuntas para seus principais problemas, inclusive formas de eliminar abusos e violências contra a mulher”, enfatizou a coordenadora do MIQCB.

A situação do cerrado é preocupante no país. Vale ressaltar que esse bioma é a savana mais rica em biodiversidade no mundo. Ocupa cerca de um quarto do território do Brasil e se estende por 12 estados, fazendo o papel de elo entre os demais biomas do país. Considerado o berço das águas, o Cerrado abriga três grandes aquíferos e as nascentes de importantes rios que fluem por todo o país. Até mesmo as bacias do Amazonas e da Prata, que banha países vizinhos, recebe as águas que brotam no Cerrado.

Toda essa riqueza é protegida por povos ancestrais, alguns que ocupam o Cerrado antes mesmo dos colonos pisarem no Brasil, e outros que passaram a viver ali no desenrolar da história pós Colombiana. Mas essa preciosidade está sob ameaça. Só entre 2016 e 2017, o Cerrado perdeu o equivalente a mais de 1 milhão de campos de futebol, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Uma ameaça aos seus povos, sua cultura e sabedoria ancestral.

Encantadeiras

Outro momento especial durante a programação será a apresentação do grupo Encantandeiras, formada por quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.  O momento marcará uma homenagem a Maria de Jesus Bringelo, dona Dijé, uma grande liderança reconhecida internacionalmente e nacionalmente, vítima de infarto fulminante no último dia 14 de setembro.

As Encantadeiras  apresentam uma proposta diferenciada. Elas utilizam o canto para transformar, denunciar, confortar e sobreviver. Lutam pacificamente pela garantia dos seus direitos e a preservação de sua cultura.  Criado em 2014, pelo MIQCB e pela  Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema). Suas canções embalam o mundo de quem, desde a infância, acompanhava mães, avós, tias, e afins, em caminhadas rumos aos babaçuais. As canções também são vistas como expressão da luta política de atores sociais, na esfera pública, na luta pelo reconhecimento à cultura livre do babaçu, à valorização do trabalho da mulher, e à luta pelo acesso e preservação dos babaçuais.

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