Assembleia Legislativa do Maranhão

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A crise que vem afetando o mercado editorial, impactando com força grandes livrarias como Cultura e Saraiva, pode servir de lição para o Turismo, segundo o sócio-diretor da consultoria Planning Corporate Finance & Advisory. Em seu artigo, Cláudio Gonçalves analisa como ligar os pontos entre os dois assuntos pode fazer com que o setor de viagens não cometa os mesmos erros.

Leia o artigo, abaixo, na íntegra:

Matéria veiculada no Jornal Valor Econômico de 27 último sobre a crise que passa as duas principais livrarias do país, Saraiva e Cultura, deixa um sinal de alerta para o setor de Turismo. As duas entraram em recuperação judicial com dívidas que somam R$ 960 milhões. A crise pode afetar outras empresas da cadeia produtiva, além de gerar uma grave crise no mercado editorial.

A crise nas livrarias tem origem no descasamento de prazos entre o recebimento das vendas, e o pagamento dos fornecedores. As vendas são realizadas em parcelas com prazo médio de 10 meses versus o prazo de pagamento dos fornecedores no curto prazo de 30 ou 60 dias.

O descasamento de prazos gera grande necessidade de capital de giro. Para fazer frente a necessidade de capital de giro, recorre-se a antecipação das parcelas dos recebíveis futuros (desconto ou venda de recebíveis), entranto em ciclo vicioso, em que a empresa passa a correr atrás de vendas para ter recebíveis que possam ser antecipados para fazer frente a necessidade de caixa.

Nos períodos em que as vendas caem, não há novos recebíveis para descontar, os compromissos do dia a dia com fornecedores não param, vem o 'estrangulamento' financeiro, o atraso no pagamento dos fornecedores e, em alguns casos, o pedido de recuperação judicial.

O modelo de negócio das livrarias tem muita similaridade com o modelo das operadoras de Turismo de lazer. As livrarias são canal de distribuição, atuando entre editoras e consumidor final. Os operadores de Turismo atuam entre os fornecedores (hotéis e companhias aéreas) e agências, B2B e/ou consumidor final, B2C.

Quando uma operadora vende um pacote turístico, com recebimento programado em dez parcelas no cartão de crédito, automaticamente, assumem o compromisso de pagar os fornecedores, aéreas, hotéis e agências.

Tendo como exemplo uma venda de R$ 10 mil com recebimento em dez parcelas de R$ 1 mil no cartão, a primeira parcela entrar no caixa somente em 30 dias após a venda. No entanto, a partir do momento da venda, a agência tem que desenbolsar R$ 8,5 mil para pagamento dos fornecedores, sobrando ganho de R$ 1,5 mil, equivalente a 15% sobre a venda.

A ineficiência na gestão do capital de giro, associado ao aumento da concorrência e queda das margens, pode levar a empresa ao estrangulamento financeiro, pedido de concordada ou falência. A profissionalização da gestão financeira é o caminho para salvar a empresa uma concordata ou falência.

*Por Cláudio Gonçalves, economista, sócio-diretor Planning Corporate Finance & Advisory e Conselheiro de Administração.

Fonte: Panrotas 

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