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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Ah como eu gosto! Carne seca não é carne de sol tampouco charque. Carne seca tem como principais ingredientes sal e secagem ao sol, apenas. É muito consumida nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. 

Em regiões mais pobres com ausência de energia elétrica, por exemplo, a secagem de alimentos é uma forma interessante de conservá-los por mais tempo.  Essa tecnologia serve também para frutos, peixes, carnes e tubérculos. 

Dizem os entendidos que a carne seca chegou junto com os colonizadores portugueses e essa versão parece muito acertada já que “os ora pois” chegaram por aqui com essa moda de salgar e secar alimentos para poder guardar por mais tempo.

Na minha escala emocional a carne seca está lá nos trendind topics e não é só pelo fato de ser uma carnívora convicta, mas pelo sabor forte e a “pegada” do sal que ela possui. Gosto de comidas que deixam marcas e às vezes ainda permanecem no meu paladar mesmo tendo passado algumas horas depois de degustá-la (vai entender!)

Para fazer uma boa carne seca, é preciso salgar e fazer os cortes adequados ao que se pretende elaborar depois de pronta. Ela fica boa bem salgada ou com apenas um leve toque de sal. As carnes usadas geralmente são carnes baratas, pouco nobres porque o que de fato vai dar o sabor correto e é onde mora a minha paixão: a secagem ao sol.  

Há pessoas que colocam em travessas; outras que arrumam as carnes numa espécie de tabuleiro e outras, como mamãe, que penduram no varal como se fossem roupas (sic!).

 Desde que me entendo por gente vejo as carnes penduradas no quintal de casa. Meus amigos sempre comentavam e sorriam pelo modo rudimentar de se fazer carne seca lá em casa. Bastava uma visita ao quintal pra ver as carnes penduradas e minha mãe indo mudá-las de posição. Ah sim, é preciso muita dedicação para deixar a carne “no jeito”.


Uma boa carne seca serve para incrementar farofas. Serve também para rechear um bom pedaço de carne assada de panela; é o ingrediente perfeito para o arroz Maria Isabel; dá pra grelhar e comer com uma salada verde e ainda para fazer a receita de que mais tenho saudade: carne seca com ovos!

Sem lavar a carne, basta cortar em cubinhos e fazer um refogado ao seu modo. Mamãe faz com azeite, alho, cebola, pimentão, pimentinha, tomate e tudo que ela bem entender na hora, rs. Deixe refogar um pouco e quando estiver seco, basta acrescentar ovos batidos (levemente batidos com um garfo com gema e clara).

 Os ovos precisam fritar um pouquinho. O toque do chefe é que deve grudar na panela e está pronto (parece que você está fazendo um ovo mexido, só que com carne seca). Essa misturinha com um arroz quentinho e uma boa porção de farinha d’água é sem dúvida, uma das maiores saudades e lembranças emocionais que tenho da vida. 

A carne seca não é um prato que vemos facilmente em restaurantes. Nos cardápios mais contemporâneos, a carne de sol faz as vezes e se sai muito bem pois tem um ar mais nobre, tem cortes mais tenros e pode ser feito com vários tipos de carne, inclusive é comum encontrarmos hoje em dia um cardápio extenso de carnes nobres como carne de sol de picanha, de cordeiro, etc.

Apenas em algumas regiões do Maranhão a carne seca é um prato típico. Geralmente em regiões longe do litoral rumando para a região dos Cocais, onde predominam as comidas do sertão, tendendo um pouco para as comidas típicas de Pernambuco, do interior da Bahia e do Piauí.

Em Alcântara, uma das vezes em que fui, almocei num restaurante muito simples, mas bem gostoso da cidade e adivinhem: na minha frente tinha um varal de carne secando, exatamente como mamãe faz lá em casa (ver foto).

Com o enorme território do Maranhão, é claro, devem existir inúmeras outras formas de fazer carne seca, receitas maravilhosas e claro, muita gente apaixonada por essa iguaria, assim como eu. Compartilha com a gente a sua receita ou a sua história e quem sabe a gente não volta a falar disso novamente?

Texto originalmente publicado na edição 94/2012 do Jornal Cazumbá

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