Assembleia Legislativa

sábado, 7 de setembro de 2019
Por: Gutemberg Bogéa

Lendas, mistérios e histórias que ultrapassam séculos, numa cidade que cultiva e cultua suas raízes e tradições como dádivas da natureza


Berço de escritores e poetas, São Luís ainda resiste ao tempo, ultrapassando séculos e nos permitindo vivenciá-la e acreditar que ainda existem diversas formas de conservar, cuidar, construir e amar.
Lembro como num piscar de olhos frases espalhadas por muros, ruas e becos que escritas diziam “É preciso amar a cidade”, do imortal Ivan Sarney, cadeira 17 da Academia Maranhense de Letras – AML, assim como também frases do então advogado e poeta Emílio Ayuob que, por décadas, coloriu em vermelho e azul paredes e muros da cidade entre poesias e pensamentos de exaltação do mais puro e forte sentimento de amor pela cidade de São Luís.

A frase de Ivan e os pensamentos de Emílio caberiam muito bem nos tempos atuais, onde a falta de respeito para com o patrimônio público e de sentimento de amor pelo bem comum tem afastado as pessoas, uma das outras. São passados quatro séculos e alguns anos a mais, precisamente 407 anos a serem completados neste domingo, dia 08 de setembro, e inusitadas reações que nos impulsiona a refletir ao presenciar depredações, brigas, intolerâncias e descaso em uma cidade que, por sua natureza, deveria respirar poesia, cultura e sentimentos de paixão, muito gostar e fraternidade espiritual, pois onde existe uma cultura cheia de riquezas, na corrente sanguínea e aura natural, deveria proliferar o amor.

São Luís guarda muitos séculos na sua alma, uma história coberta por uma autenticidade cultural inimaginável que só vivenciando pode-se crer. São acervos históricos, culturais e principalmente arquitetônicos que chegam a atingir o número de 3.500 edificações que nos remontam aos séculos XVIII e XIX.
Na cidade fundada por franceses, da ideia de França Equinocial, das batalhas entre portugueses e holandeses, da Upaon-açu (Ilha Grande), capital Patrimônio Histórico da Humanidade, a poesia ainda insiste nos seus versos, o canto ainda ecoa por entre suas ruas, prédios e becos, ainda é possível se ouvir gritos anunciando pitorescas frases como: “Olha o cuscuz ideal”, “Tem sorvete de coco”, entre outras guloseimas, como no tabuleiro do pirulito, o famoso quebra-queixo, todos eles permanecidos no imaginário popular e na realidade de sua gente cada vez mais vivo e real. 

A cada nova temporada festiva, tradições culturais e folclóricas de raízes históricas ainda embalam seus filhos nativos, anunciando uma diversidade de ritmos que formam orquestras das mais variadas batidas e toques, sejam em suas variáveis marcadas e marcantes, ou no pulsar eletrizante de sua energia rítmica.

São Luís não se prende a modas ou culturas trazidas de fora para dentro, a cidade esbanja sua própria identidade, capitaneada pela criatividade de sua gente e orquestrada por suas tradições aperfeiçoadas e aprimoradas para o futuro - daí seus blocos, tribos e sotaques musicais de beleza única e ímpar.
407 anos, revelando como num passe de mágica as glórias de seu passado na busca incessante do progresso que precisa ser construído, sem descaracterizar a sua história. De lá para cá, são séculos de uma arquitetura colonial de rara beleza que mesmo dilacerado pelo tempo e pelo descaso dos homens glorifica os seus habitantes.


Mas do que uma cidade histórica, rica em sua variedade cultural, São Luís é uma ilha, cercada de belas praias de águas turvas e mornas. São aproximadamente 30 quilômetros de orla que se completam com o encontro das baías de São José e São Marcos. O clima tropical e semiúmido deixam a cidade com uma temperatura amena em quase toda parte do ano.

O mundo inteiro deveria estar mensalmente visitando São Luís, incrementando o turismo, gerando emprego e renda através dessa indústria que é a mais limpa de todas. É hora de acordar, vamos discutir a cidade através de encontros, seminários. Vamos tentar resolver conjuntamente os problemas que São Luís carrega nos ombros alquebrados, apresentar propostas urbanísticas inovadoras, visionárias, para que se evite o transtorno do caos da qualidade de vida e se ofereça à população um espaço repensado, dinâmico, vivo e naturalmente atraente para se viver.
Legendas:
Fotos: Gilson Ferreira

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