segunda-feira, 14 de setembro de 2020

É uma regra que não é absoluta, mas é uma regra.

Por Antonio Noberto, 

*Turismólogo e membro-fundador da Academia Ludovicense de Letras - ALL

Não tem sido fácil para muitas empresas no Brasil conseguir profissionais capacitados, aptos, portanto, a assumirem postos de trabalho de alta e média relevância. Até mesmo empregos que exigem menos escolaridade e qualificação já se observa certa indisponibilidade de mão de obra, o que é um bom sinal de recuperação e crescimento da economia nacional e, por outro lado, de falta de investimento em capacitação e qualificação. No quarto trimestre do último ano a construção civil, por exemplo, penou atrás de trabalhadores dos níveis gerenciais e chão de fábrica. Muitas multinacionais e conglomerados nacionais, sem êxito na busca de executivos devidamente capacitados no mercado interno, passaram a cooptá-los no exterior, pagando mais caro por isto. A origem da carência, entre outros, reside na insuficiente e irregular formação acadêmica, com reflexos no campo profissional, uma das mazelas que o país tem enfrentado nas últimas décadas frente às oportunidades de crescimento que se desnudam.

A enorme e secular dívida educacional do país não pode ser desprezada. Nos últimos meses tem sido freqüente o uso eleitoreiro do pré-sal, quando o colocam como uma riqueza acima de qualquer outra coisa. Nossos recursos naturais, aliás, sempre fizeram parte dos discursos ufanistas de políticos (geralmente populistas e patrimonialistas), que inflam o ego dos nacionais colocando-os como coisas realmente soberanas em proveito de todos. A realidade, no entanto, tem mostrado que o capital mais importante é o conhecimento, estando acima do petróleo e da floresta. Basta ver que as três maiores economias do mundo, China, Japão e Estados Unidos são importadores de petróleo, e não o contrário. O pré-sal para os brasileiros terá realmente valor se revestido em educação, tecnologia e capacitação – que é uma das principais propostas do atual governo e que esperamos se transformar em realidade. Mesmo sendo uma espécie de remendo, será, se realmente acontecer, uma grande vitória a longo prazo, um céu.

Certa vez, um consultor europeu, que visitava o Maranhão pela segunda vez, interrogou este pena que vos fala: “O que um acadêmico de turismo do Maranhão aprende e faz nos quatro anos de faculdade?”. Responder foi um pouco difícil, afinal, o que fazemos? Porque nosso turismo ainda é tão incipiente? A resposta, pelo menos em parte, passa pela formação acadêmica aquém do satisfatório. Pouco caso, desinteresse, baixa estima, indolência, imprevidência, visão parca e limitada também pode ser apontados.

Quando olhamos alguns destaques do nosso turismo regional, profissionais como Liviomar Macatrão, Socorro Araújo, Janete Chaves, Marcelo Saldanha, Reginaldo Rodrigues, Beatrice Castro (estes dois fazem parte da família Cazumbá), Ana Kate Linhares, Fabiana Lobato, nossos mestres e tantos outros profissionais e colegas da área, observamos que todos eles, sem exceção, tiveram em comum o zelo acadêmico. Foram estudantes inquietos, que não aceitavam a dúvida, perguntavam, incitavam, debatiam, criavam, pesquisavam, compravam livros, liam, faziam acontecer. Não ficaram “nas costas” dos outros, nem fizeram o pacto da mediocridade, mas optaram em criar seu novo modelo, correram atrás daquilo que acreditaram. É assim que se vencem as limitações e o atraso. Que nenhum acadêmico se engane, todos estão sendo observados pelos professores e demais colegas, a vitrine é a universidade. Não perca a chance de mostrar seu valor! Brinque e se divirta, aproveite cada minuto que a vida acadêmica pode oferecer, as amizades, os namoros, a manguaça no bar, sem esquecer-se de visualizar o futuro! Amplie sua rede de contatos, seus conhecimentos, converse com quem sabe, com quem seja interessado, mostre interesse, criatividade, adquira know-how, savoir-faire, saiba fazer! Não seja um mero expectador, consumidor dos que os outros produzem, antes idealizador e produtor, assim você será um excelente profissional e terá espaço em qualquer empresa! Será bastante solicitado! Investir no período acadêmico é sem dúvida uma grande sacada. Faça parte você também deste grupo de sucesso! Não chore, venda lenço!

Texto Originalmente publicado na Edição N° 69 janeiro 2010 do Jornal Cazumbá

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