Cansaço, desânimo e uma dificuldade sem fim para realizar as atividades do dia a dia? Não é preguiça e nem drama: pode ser anemia. O problema afeta cerca de um terço da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Já no Brasil, estudos apontam que a anemia afeta até 20% das crianças menores de 5 anos e até 40% das gestantes. Entre os idosos, a condição foi a causa de 32% das internações entre os anos de 2016 e 2026, segundo dados do Ministério da Saúde.
O problema acontece quando o corpo tem menos hemoglobina, isto é, menos glóbulos vermelhos para levar oxigênio pelo corpo. Sem “transporte” adequado para o oxigênio, o corpo entra em modo econômico e passa a funcionar mais devagar. Na prática, subir uma escada vira um desafio, varrer a casa exige um esforço digno de maratonista e até pensar cansa. O biomédico com habilitação em patologia clínica e professor do IDOMED São Luís, Roberval Moraes, explica que existem vários tipos de anemia, com origens, diagnósticos e tratamentos distintos. “Ignorar essas diferenças pode atrasar o cuidado e até piorar os sintomas”, adverte.
Engana-se, porém, quem pensa que toda anemia é causada pela falta de ferro. Roberval explica que existem também as anemias “carenciais”. “Elas são causadas por falta de vitaminas, especialmente B12 e ácido fólico. São mais comuns em pessoas veganas que não fazem suplementação alimentar ou em idosos”, afirma o professor.
OUTRAS CAUSAS
Mesmo com uma alimentação adequada, a anemia também pode surgir quando o organismo não consegue absorver corretamente os nutrientes. Isso acontece, por exemplo, após cirurgias bariátricas, em doenças intestinais ou na anemia perniciosa, quando o corpo não absorve a vitamina B12. Além disso, algumas doenças e infecções interferem diretamente na produção ou no aproveitamento do ferro e das vitaminas, como parasitoses intestinais, em que os vermes “roubam” os nutrientes do organismo.
Há ainda anemias relacionadas a doenças da medula óssea ou de origem genética, como a anemia falciforme e as talassemias, em que o problema está na produção ou na qualidade das células do sangue. Outro fator importante é a perda excessiva de sangue, comum em casos de menstruação intensa, hemorragias, cirurgias ou traumas. “Em todas essas situações, identificar a causa é essencial, já que o tratamento varia conforme a origem da anemia e nem sempre se resolve apenas com mudanças na alimentação”, destaca Roberval.
E o que acontece quando a anemia não é tratada? Depende do tipo. Na ferropriva, o quadro tende a evoluir com mais cansaço, perda de massa muscular e queda na qualidade de vida. Já nas anemias causadas por deficiência de vitamina, o risco é maior. “A vitamina B12 não é importante só para o sangue. Ela é fundamental para o sistema nervoso”, destaca o professor.
A deficiência prolongada pode causar problemas neurológicos e psiquiátricos, alterações gastrointestinais, inflamação da língua (glossite), dificuldade na fala e, em gestantes, prejuízos ao desenvolvimento do feto. “Anemia tem várias causas. Entender qual é a sua faz toda a diferença para evitar complicações e garantir o tratamento correto”, finaliza o profissional.
Informação: Cores Comunicação

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