Competição do SESI aposta em inovação com propósito
SÃO LUÍS – Muito além de arenas, algoritmos e desempenho técnico, a robótica educacional tem assumido um papel estratégico na formação cidadã de jovens maranhenses. Essa proposta ganha evidência no Torneio SESI de Robótica- Regional Maranhão, que ocorre nos dias 7 e 8 de fevereiro, no SESI Clube Araçagi, reunindo equipes que aliam inovação tecnológica a iniciativas de impacto social.
Promovido pelo Serviço Social da Indústria do Estado do Maranhão (SESI-MA), o torneio contempla três categorias, das quais duas — STEM Racing e FIRST® Tech Challenge (FTC) — incorporam, de forma estruturada, projetos sociais como parte essencial da avaliação. A competição, nesse contexto, deixa de ser apenas um desafio técnico e passa a funcionar como ferramenta de transformação social.
Na categoria STEM Racing, os estudantes são incentivados a desenvolver soluções que dialoguem com a realidade das comunidades onde estão inseridos. O desafio envolve a criação de empresas fictícias, elaboração de planos de negócios, definição de identidade visual e desenvolvimento de minicarros de Fórmula 1 projetados em software 3D, posteriormente testados em pistas de 20 metros. Tudo isso articulado a ações sociais com propósito definido.
Nesta etapa regional, participam 13 equipes da STEM Racing, formadas por alunos com idades entre 9 e 19 anos. Dez delas representam o Maranhão — quatro de São Luís, quatro de Caxias e duas de Bacabal —, além de três equipes convidadas, oriundas do Paraná e do Pará.
Em Bacabal, duas escuderias disputam a categoria. A TitanRacing desenvolveu o projeto “Escola que Acolhe”, voltado à promoção de um ambiente escolar seguro e acolhedor, com foco em valores como empatia, respeito e compaixão. “Acreditamos que o projeto social, além de ser um dos principais requisitos da categoria, representa nosso compromisso com a comunidade, gerando impactos positivos e tornando a convivência mais leve e acessível”, afirma Lyvia Rodrigues, gestora da escuderia.
Já em São Luís, a escuderia Pugnator chega à temporada 2025/2026 com histórico de conquistas. Bicampeã regional da antiga F1 in Schools, hoje STEM Racing, a equipe busca o tricampeonato e novas premiações, inclusive na área social. O projeto “Raízes Vivas” tem como objetivo auxiliar crianças que convivem com dermatite atópica, por meio do desenvolvimento de um óleo natural à base de andiroba.
Após pesquisa sobre espécies vegetais com potencial terapêutico, o grupo encontrou resultados promissores na planta, comum na região. “Fomos até o município de Nina Rodrigues para acompanhar o cultivo e a produção do óleo. A doença não tem cura, mas o uso do produto ajuda a aliviar os sintomas e torna o tratamento mais confortável”, explica Pedro Sena, integrante do setor de marketing da equipe.
A sustentabilidade também ocupa espaço entre as iniciativas da STEM Racing. A escuderia Spartacus, igualmente da capital, criou o projeto “Ecorrenda”, que estimula o artesanato maranhense por meio de um protótipo capaz de transformar materiais recicláveis, como garrafas PET, em fios utilizados na produção da renda de bilro — técnica tradicional que emprega pequenos instrumentos de madeira para entrelaçar fios.
A formação oferecida pelas duas categorias é multidisciplinar e prepara os jovens para desafios além da competição. Os participantes desenvolvem competências técnicas, socioemocionais e interpessoais, além de noções de gestão, liderança e responsabilidade social. Para o técnico Diego Santos, do SESI Caxias, a proposta vai além da construção de protótipos. “Eles aprendem a administrar uma pequena empresa de engenharia, com metas, prazos e um propósito social bem definido”, afirma.
Essa vivência é percebida pelos próprios competidores. Évelly Hadassa Costa, integrante da escuderia Fast Backcountry, de Caxias, responsável pela área de empreendedorismo, destaca o impacto da experiência. “Aprendemos a assumir responsabilidades e a trabalhar em equipe, habilidades essenciais para o mercado de trabalho. Esse é um diferencial da instituição, que oferece uma formação completa por meio da robótica”, avalia.
Na categoria FIRST® Tech Challenge (FTC), os estudantes constroem e programam robôs de até 45 centímetros cúbicos, equipados com sensores e motores, para cumprir missões em arenas temáticas. Paralelamente, os projetos sociais ampliam o alcance educacional da robótica. Este ano temos 5 equipes competindo, duas do SESI São Luís, duas do SESI Araçagi e 1 do município de Morros.
A equipe Everest, de São Luís, desenvolveu a “Feira STEM”, iniciativa voltada a alunos de escolas públicas com pouco acesso a conteúdos tecnológicos. O projeto foi aplicado no Centro Educacional Almirante Tamandaré, no bairro da Cohab. “Trabalhamos ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática de forma integrada. As turmas foram divididas por áreas e desafiadas a resolver problemas práticos, inclusive utilizando ferramentas exigidas pelo mercado de trabalho, como planilhas digitais”, relata Giovana Sodré, gestora da equipe.
No interior do estado, a equipe NeuroSpark, do município de Morros, aposta na democratização do acesso à robótica. O projeto desenvolvido pelo grupo promove oficinas em escolas e instituições da zona rural, apresentando as atividades da FTC e convidando novos estudantes a integrar a equipe. “Durante uma visita a uma escola agrícola, realizamos um workshop e selecionamos alunos para os treinamentos. Três deles passaram a participar ativamente da equipe”, destaca Elano Pereira, capitão da NeuroSpark.
O Torneio SESI de Robótica é realizado pelo SESI e FIEMA, com a correalização do Sebrae, STEM Racing e FIRST® LEGO® League Challenge (FLL). O evento conta com o patrocínio da VALE e o apoio do Sindipan, Sesc, Só Saúde e Comarh e M. Dias Branco.
Informação: Fiema



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