Ferramenta foi criada pela Hapvida em parceria com o Instituto Justiça de Saia
O Brasil teve recorde de feminicídios em 2025, com 1.568 registros de ocorrências em todo o país. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A média é de quatro mulheres assassinadas por dia. Para contribuir de forma efetiva no combate a esse tipo de situação, a Hapvida mantém, em parceria com o Instituto Justiça de Saia, por meio do Projeto Justiceiras, o Canal Delas: um sistema sigiloso e seguro para denúncias e acolhimento de vítimas.
O serviço já registrou mais de 360 ocorrências, que resultaram em atendimentos mais aprofundados a pelo menos 111 mulheres em situação de violência. “É rede multidisciplinar que orienta sobre medidas protetivas, registro de ocorrência, acesso a serviços públicos e caminhos para a reconstrução da autonomia e da dignidade dessas mulheres”, afirma Flavio Freire, head de Sustentabilidade e Impacto Social na Hapvida.
A ferramenta, inicialmente voltada às colaboradoras da empresa, foi expandida para beneficiárias e para o público em geral. “Esse é um tema especialmente relevante para nós, porque somos uma companhia formada majoritariamente por mulheres. Atualmente, cerca de 75% do nosso quadro de colaboradores é composto por mulheres, o que representa mais de 58 mil profissionais que contribuem diariamente para a construção da história da empresa. Essa representatividade também se reflete nas posições de liderança, onde a presença feminina tem papel expressivo na condução das equipes e no desenvolvimento estratégico da companhia”, ressalta o executivo.
NÚMEROS
O número de feminicídios de 2025 (1.568), recorde histórico no país, representa um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos. Desde o início da série histórica, iniciada em 2015, com 449 casos, o aumento é de cerca de 250%.
“Infelizmente, os números mais recentes mostram que a violência contra a mulher segue como um dos desafios sociais mais urgentes. Por isso, apoiar projetos como esse está totalmente alinhado ao nosso propósito de cuidar das pessoas de forma integral. Essa não é apenas uma questão de segurança pública ou jurídica, mas também um tema de saúde, dignidade e direitos humanos”, completa.
A psicóloga Karolayne Oliveira, da Hapvida, ressalta que muitas vezes as mulheres têm que superar barreiras emocionais para dar o primeiro passo e sair do contexto da violência. “A sociedade julga muito. Muitas vezes, a pessoa está sendo agredida e não fala nada, mas o motivo é que ela tem medo. Medo de perder o fator financeiro, medo de ser afastada dos filhos, medo de perder tudo o que ela acha que tem com aquele parceiro”, explica.
Para a especialista, a ajuda profissional é essencial. “Também é importante procurar uma rede de apoio. Pode ser uma vizinha, pais, irmãos, desde que a mulher se sinta de fato apoiada por eles”, diz.
A psicóloga ressalta ainda a importância da psicoeducação. “Quando a mulher tem noção do que está acontecendo, quando ela é orientada por políticas públicas, pela empresa em que trabalha, por todo o meio que está em volta dela, sobre como funciona o comportamento de um agressor, ela entende que pode sair dessa situação antes que algo de pior aconteça”, finaliza.
QUEBRANDO O CICLO
A advogada especialista na defesa dos direitos das mulheres e fundadora do Projeto Justiceiras, Gabriela Manssur, ressalta que quebrar o silêncio é de extrema importância e pode ajudar a salvar vidas. “O Canal Delas, em parceria com o Projeto Justiceiras, é um meio de denúncia sigiloso e multidisciplinar que interrompe os ciclos de violência contra a mulher antes que cheguem ao desfecho mais extremo: o feminicídio. O silêncio mata. A responsabilidade salva”, afirma.
“O papel das empresas é decisivo nesse enfrentamento. É necessário informar, conscientizar, acolher e oferecer canais seguros de escuta qualificada, com encaminhamentos objetivos para o sistema de justiça. Reduzir os índices de feminicídio exige ação coordenada, dados precisos e coragem institucional para enfrentar a violência de forma estruturada”, finaliza.
As denúncias no Canal Delas podem ser feitas pela própria vítima ou por terceiros, 24 horas por dia, sete dias por semana, com garantia de sigilo. O acesso está disponível pelo portal e pelo aplicativo da Hapvida — canais exclusivos para mulheres beneficiárias ou colaboradoras — e também pelo Instagram da empresa. No portal (https://portal-beneficiario.hapvida.com.br/), após fazer o login, é preciso clicar em “Serviços”, depois em “Precisa de Ajuda” e, em seguida, em “Canal Delas”.
No aplicativo, disponível para Android e iOS, a usuária deve acessar a opção “Benefícios” e selecionar “Precisa de Ajuda?” para encontrar o Canal Delas. Já pelo Instagram, no perfil @hapvidasaude, é necessário clicar no link disponível na bio (linktr.ee/hapvidasaude) e escolher a opção “Canal da Mulher” e, a seguir, selecionar uma das alternativas de denúncia: seja para relatar uma violência sofrida, denunciar um caso envolvendo outra mulher ou registrar a ocorrência pelo WhatsApp. Em seguida, é só preencher o formulário. As demandas são atendidas por uma rede multidisciplinar de especialistas voluntárias da ONG, que oferece apoio jurídico, psicológico, médico e socioassistencial às vítimas.
Informação: Cores Comunicação

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