A ação é um instrumento para apoiar processo produtivo, conectar agentes da cadeia e difundir informações técnicas
SÃO LUÍS – O “Radar Industrial São Mateus” destacou a estrutura da produção local de arroz, gargalos e oportunidades para ampliar integração entre produtores e indústria. A iniciativa é uma ação do Projeto Inova Indústria, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) com parceria institucional do SEBRAE. O encontro, que contou com correalização do Sindicato das Indústrias de Arroz do Estado do Maranhão (Sindiarroz), reuniu lideranças municipais e instituições do setor para discutir a cadeia produtiva do arroz e apresentar um diagnóstico técnico sobre a situação do cultivo no estado, nesta terça-feira (10/03), no Colégio Militar 2 de Julho.
A consultora do Projeto Inova Indústria, Catharine Sant’Anna, apresentou dados coletados junto a 20 produtores de arroz de diferentes municípios maranhenses. O levantamento identificou que 85% da produção mapeada se concentra em três municípios: São Mateus (50% da amostra), Matões (20%) e Vitória do Mearim (15%). Os produtores analisados cultivam 8.500 hectares de arroz dentro de um conjunto de propriedades que somam 28.600 hectares. A produção atinge aproximadamente 765 mil sacas por safra (cerca de 38,3 mil toneladas de arroz em casca) e pode chegar a 940 mil sacas ao longo do ano.
A produtividade média registrada é de 90 sacas por hectare, equivalente a 4,5 toneladas por hectare, índice inferior à média nacional que é de 7,06 toneladas por hectare registrada pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) em 2024. Segundo a análise realizada no âmbito do Projeto Inova Indústria, a diferença aponta potencial de ganhos com melhorias em manejo, assistência técnica, irrigação, qualidade de insumos e infraestrutura pós-colheita. A base produtiva apresenta predominância de grandes produtores na oferta total: 25% deles respondem por quase 75% do volume colhido. Já 70% dos entrevistados informaram possuir parte da produção em sistemas irrigados.
INFRAESTRUTURA LIMITA COMPETITIVIDADE - O diagnóstico mostrou ainda que apenas 15% dos produtores dispõem de estrutura própria de secagem e armazenagem. A maioria transfere a produção para unidades externas, situação que eleva custos logísticos e reduz capacidade de retenção para venda em momentos mais favoráveis de mercado. Além disso, 60% dependem de transporte terceirizado para o escoamento, e somente 30% participam de alguma forma de organização coletiva, como cooperativas ou associações. A pesquisa também revelou forte concentração comercial: 90% dos produtores negociam com uma única empresa e 60% com uma cooperativa. Isso indica estabilidade nas relações já existentes, mas reduz opções de venda e aumenta a dependência de poucos compradores.
Catharine destaca que muitos produtores não participam de cooperativas, associações ou sindicatos, o que reduz sua competitividade. Ela explica que a organização coletiva facilita acesso a financiamentos e infraestrutura como polos de secagem e armazenagem. Também aponta que, por meio dessas entidades, os produtores conseguem ampliar o acesso ao crédito e compras coletivas, reduzindo custos de produção.
Após a apresentação dos dados, o engenheiro agrônomo Jean Carlos Barros de Moura conduziu uma palestra sobre práticas de produção voltadas à qualidade industrial e ao aumento do valor de mercado do arroz. Em seguida, o auditor fiscal federal agropecuário Angelo Luiz Tadeu Ottati tratou de fiscalização, classificação vegetal e padrões oficiais de qualidade exigidos para comercialização, com foco nas normas do Ministério da Agricultura. A executiva do Sindiarroz, Luciana Pereira, apresentou as linhas de atuação do sindicato junto à cadeia produtiva, com foco em organização, articulação setorial e fortalecimento das relações entre produtores e indústrias beneficiadoras. Entre os participantes estiveram presentes Marcos Vinícius, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de São Mateus, correalizador do Radar Industrial; Savigny Sauáia, que também integra o sindicato, e o vice-prefeito do município, Clóvis Bernardi.
PERSPECTIVAS - O diagnóstico consolidado aponta que a cadeia produtiva do arroz no Maranhão reúne uma oferta relevante para a indústria, interesse dos produtores em integração comercial e um conjunto claro de desafios estruturais. Entre as prioridades destacadas estão armazenagem, secagem, logística, padronização comercial e ampliação de canais de venda.
“Embora o Maranhão seja o maior consumidor per capita de arroz do Brasil, o estado é apenas o quinto maior produtor. A maior parte dos municípios produz apenas para consumo próprio, havendo poucos produtores que realmente comercializam arroz. Com isso, a produção local não atende à demanda interna e cerca de 40% do arroz consumido no estado precisa vir de fora”, frisou Catharine.
As recomendações estratégicas envolvem três etapas: organização da base produtiva e definição de zonas prioritárias; implantação de infraestrutura compartilhada de pós-colheita e fortalecimento de mecanismos de integração comercial e governança territorial. O Sindiarroz e as instituições parceiras apresentaram o Radar Industrial como instrumento para apoiar esse processo, conectar agentes da cadeia e difundir informações técnicas de forma contínua.
Informação: Fiema


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