quinta-feira, 12 de março de 2026

Entenda o que é o fenômeno que provoca feridas profundas no solo

Já são 33 crateras registradas, sete mortes confirmadas e mais de 360 famílias obrigadas a deixar suas casas. Somente em Buriticupu, pelo menos 83 imóveis foram destruídos ou engolidos pela erosão. As primeiras crateras surgiram há cerca de 40 anos, mas os impactos passaram a atingir a população de forma mais intensa a partir de 2015, especialmente com a expansão urbana e o aumento das chuvas. Algumas dessas fendas ultrapassam 600 metros de extensão e chegam a 80 metros de profundidade.

As voçorocas são o estágio mais avançado da erosão do solo. Segundo o especialista em Direito Ambiental e professor da Estácio, Paulo de Jesus, o fenômeno tem origem natural, mas a dimensão atual está diretamente ligada à interferência humana. “O processo é natural, mas a escala em que vemos as voçorocas hoje é, na maioria das vezes, consequência direta da ação antrópica”, explica. Ele destaca que, em solos arenosos, a água da chuva abre sulcos que podem evoluir até atingir o lençol freático, agravando a instabilidade do terreno.

O professor de Engenharia Civil da Estácio, Walace Alan, reforça que o problema é também geotécnico. “É um problema que ocorre, muitas vezes, em virtude da ação humana, especialmente em áreas de solo muito arenoso e sem sistema de drenagem adequado. A ação das águas pluviais e o escoamento superficial criam fendas, ravinas e voçorocas”, afirma. Desmatamento, urbanização desordenada e drenagem ineficiente aceleram o processo. Sem vegetação para proteger o solo e com a água sendo canalizada de forma inadequada, a erosão ganha força e avança sobre ruas e residências.

A situação é acompanhada por órgãos públicos, já motivou ações do Ministério Público do Maranhão e intervenções do governo federal. Ainda assim, moradores afirmam que as medidas adotadas não têm sido suficientes para conter o avanço das crateras. Especialistas defendem que a solução passa por intervenção técnica estruturada, com isolamento das áreas afetadas, controle da drenagem e revegetação adequada. “Sem planejamento e ação contínua, o risco é que o chão continue cedendo e que novas famílias sejam atingidas”, conclui Paulo de Jesus.

Informação: Assessoria de Comunicação 

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