Programa ALICoop inicia atuação no estado com investimento, fortalecimento de cooperativas e valorização da sociobiodiversidade
O cooperativismo tem se consolidado como uma das principais estratégias de fortalecimento da economia extrativista no Brasil, especialmente na Amazônia Legal, onde se alia geração de renda, organização produtiva e preservação ambiental. No Maranhão, esse modelo ganha ainda mais relevância com a força da cadeia do babaçu, uma das mais emblemáticas do estado, presente de norte a sul e responsável por sustentar milhares de famílias, sobretudo mulheres quebradeiras de coco, além de movimentar uma ampla rede de produtos derivados com valor econômico e social
Nesse contexto, o Maranhão passa a integrar o Programa ALICoop, iniciativa voltada à promoção da inovação na gestão, no processo produtivo e no acesso a mercados para cooperativas extrativistas. A adesão foi oficializada com a assinatura do termo de cooperação, durante reunião realizada nesta quinta-feira (7), na sede do Sebrae Maranhão, no Jaracaty, em São Luís.
A iniciativa é coordenada pelo Sebrae Nacional, com financiamento do Fundo Amazônia e do e do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e reúne, na governança, a Organização das Cooperativas Brasileiras, a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Com investimento de cerca de R$ 103 milhões e duração de quatro anos, o programa irá atuar em estados da Amazônia Legal como Rondônia, Maranhão e Pará, beneficiando diretamente cerca de 6 mil famílias. No Maranhão, a primeira etapa contempla sete cooperativas extrativas localizadas nas regionais de Imperatriz, Caxias e Bacabal, em uma jornada de desenvolvimento que inclui acompanhamento técnico, consultorias especializadas, capacitação de lideranças e acesso a soluções de inovação.
O diretor técnico do Sebrae Maranhão, Mauro Borralho, ressaltou a importância das parcerias e do investimento no setor. “Estamos falando de mais um projeto estratégico, construído em parceria com o BNDES, Sebrae Nacional, ministérios, Governo Federal e o Fundo Amazônia. É uma captação relevante de recursos para impulsionar o desenvolvimento de cooperativas agroextrativistas em regiões estratégicas do estado, fortalecendo uma cadeia extremamente importante, que é a do babaçu”, afirmou.
O trabalho será desenvolvido ao longo de 12 meses, com atuação dos Agentes Locais de Inovação (ALIs), que acompanham diretamente as cooperativas na construção de soluções voltadas à melhoria da gestão, aumento da produtividade e fortalecimento das estratégias comerciais. Entre as entregas estão planos estruturantes como o Plano Preliminar de Inovação (PPI) e o Plano Consolidado de Inovação (PCI), além de ações como aquisição de equipamentos, mecanização da produção e consultorias estratégicas.
Para Ana Carolina Westrup, analista de inovação do Sebrae Nacional, a implementação do programa representa a consolidação de um projeto que irá estruturar toda a cadeia do babaçu nos municípios escolhidos. “No ano passado, quando estávamos aqui, o Coopera Mais Amazônia ainda era um sonho. Hoje, trazemos a realidade de um projeto aprovado pelo BNDES e pelo Fundo Amazônia, com investimento de cerca de R$ 103 milhões e duração de quatro anos. No Maranhão, iniciamos com um ciclo de dois anos, acompanhando sete cooperativas, com foco na autonomia, no aumento do faturamento e na promoção da cultura do cooperativismo, especialmente com mulheres quebradeiras de coco babaçu”, destacou.
Visitas às Regionais
Além da agenda institucional em São Luís, o Programa ALICoop também avançou com a realização de encontros nos municípios de Bacabal, Caxias e Imperatriz, reunindo cooperativas locais para a apresentação da proposta e alinhamento das ações no território. Os momentos foram dedicados à conexão entre os participantes, ao esclarecimento das etapas do programa e ao fortalecimento do engajamento das cooperativas na jornada de inovação, gestão e acesso a mercados.
A expectativa é grande entre as cooperativas participantes. Para Divina Lopes, da Coomara (Cooperativa Mista dos Assentamentos de Reforma Agrária da Região Tocantina) em Imperatriz (MA), o programa representa uma oportunidade de avanço em diferentes frentes. “A gente está com muita expectativa, porque a partir do programa pretendemos avançar na inovação da produção que já realizamos nos assentamentos, com alimentos saudáveis, mas também na apresentação dos produtos e, principalmente, na comercialização, que ainda é um grande gargalo da agricultura familiar. Agora, esperamos iniciar essa jornada e alcançar todas as metas propostas”, afirmou.
Já Maria Domingues, representante da Cooperativa das Quilombolas de Coco de Itapecuru Mirim, destaca o impacto social da iniciativa, especialmente para as mulheres. “Esse projeto é muito importante para o desenvolvimento da cadeia do babaçu e para a valorização das quebradeiras de coco. Ele não traz apenas máquinas ou melhorias na produção, mas também dignidade para essas mulheres fortes, que tiram do babaçu o sustento de suas famílias. Hoje, conseguimos transformar um produto simples em vários subprodutos, gerando renda, autoestima e qualidade de vida. Participar deste projeto é motivo de muita gratidão”, ressaltou.
Estruturação
A proposta também inclui a estruturação de estratégias territoriais de negócios, com implantação de escritórios de apoio, análises de mercado e ações de valorização dos territórios e produtos, por meio de iniciativas como place branding. Paralelamente, o programa investe na promoção da cultura cooperativista, com oficinas, mentorias e atividades de engajamento voltadas ao fortalecimento da governança e da atuação coletiva.
Para o diretor superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, o estado assume papel de destaque na iniciativa. “O Maranhão foi selecionado justamente pela sua vocação, especialmente na cadeia do babaçu, presente em todo o território. Nosso objetivo é fortalecer essa cadeia, aprimorar a gestão das cooperativas, qualificar os produtos e impulsionar o desenvolvimento do estado. O Sebrae tem um papel estratégico nesse processo, apoiando o cooperativismo como caminho para ampliar a competitividade dos pequenos negócios, promover inclusão produtiva e gerar oportunidades a partir da organização coletiva”, concluiu.
Informação: Sebrae MA




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