sexta-feira, 29 de maio de 2026

Nessa quinta-feira, 28, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) inaugurou o Observatório da Inovação e a Unidade de Manufatura Contratada de Pescado e Bioinsumos, em cerimônia que contou com a presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo. A agenda reforçou a parceria entre a Universidade e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) em projetos voltados à ciência, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento social no Maranhão. 

A programação foi dividida em dois momentos. Inicialmente, foram apresentados projetos desenvolvidos pela UFMA em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura. Em seguida, ocorreu a inauguração oficial dos novos espaços, voltados ao fortalecimento da bioeconomia e ao aproveitamento sustentável da cadeia produtiva do pescado. 

Durante a solenidade, o reitor da UFMA, Fernando Carvalho, destacou a relevância da parceria entre a Universidade e o Ministério para o fortalecimento das políticas públicas e da pesquisa científica no estado.

“É uma grande honra para a nossa Universidade receber o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, que veio aqui para verificar todos os projetos que nós temos hoje com o Ministério da Pesca e também para, o que eu espero, que a gente saia daqui também com novas perspectivas de novos projetos para a nossa Universidade e para o desenvolvimento do nosso estado”, afirmou. 

O reitor ressaltou ainda o papel estratégico das universidades na execução de ações governamentais e na formação acadêmica de estudantes envolvidos em projetos de pesquisa e extensão. “A presença do ministro aqui mostra que a nossa Universidade tem feito o seu papel, que é apoiar as ações governamentais, principalmente, nas políticas que são implementadas pelo Ministério. [...] Esses projetos também ajudam na formação dos nossos alunos, alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado, que também estão presentes, que estão trabalhando nesses projetos. Isso ajuda a gente ter cada vez mais um ensino, uma pesquisa e extensão de qualidade dentro da nossa instituição”, completou.

O ministro Edipo Araújo destacou que aproximadamente R$ 4 milhões foram investidos na UFMA por meio da parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura. “É uma alegria estar aqui para que a gente possa falar dos 4 milhões de reais investidos nesta Universidade por acreditar que a UFMA, em parceria com o Ministério, dará bons resultados ao público da pesca e aquicultura”, afirmou. 

Segundo Edipo Araújo, desde a recriação do Ministério da Pesca e Aquicultura, em 2023, mais de R$ 243 milhões foram destinados à ciência e pesquisa em todo o país. Somente no Maranhão, mais de R$ 20 milhões foram direcionados a instituições de ensino superior no estado. 

O ministro também destacou a importância econômica e social da atividade pesqueira no estado. Atualmente, o Maranhão produz cerca de 50 mil toneladas de pescado e reúne aproximadamente 340 mil pescadores e pescadoras, sendo 58% mulheres pescadoras e marisqueiras. Além disso, o estado ocupa posição de destaque na aquicultura nacional. “O Estado do Maranhão já se destaca como sendo o sexto maior em produção da aquicultura, que vem crescendo nos últimos dez anos”, ressaltou.

Projetos com impacto social

Entre os projetos apresentados durante a visita ministerial, esteve o Projeto Caranguejo de Araioses, coordenado pela pesquisadora Priscila Bernardes. A iniciativa é desenvolvida pela UFMA, em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (Sedes), e busca fortalecer a cadeia produtiva do caranguejo no município de Araioses. 

“O Ministério da Pesca, com o investimento, permitiu que nós levássemos os pesquisadores para trabalhar junto com a cooperativa. Então, foi feito primeiro esse reconhecimento, esse diagnóstico”, explicou. 

Segundo a coordenadora, equipes multidisciplinares compostas por economistas, nutricionistas, contadores e advogados atuaram junto à cooperativa local para promover capacitação, organização da cadeia produtiva e autonomia na gestão. “Então nós desenvolvemos sites, uma cartilha, material de Procedimento Operacional Padrão (POPs) e manual de boas práticas, além do software que vai dar essa autonomia pra eles, de forma intuitiva conseguir gerir a cooperativa”, destacou.

Estruturas voltadas à bioeconomia e inovação 

A criação do Observatório da Inovação e a Unidade de Manufatura Contratada de Pescado integrados ao Open Lab de Biotecnologia representa um avanço estratégico para a consolidação de um ecossistema de inteligência e desenvolvimento tecnológico voltado à bioeconomia, biotecnologia e inovação sustentável. 

O observatório terá como funções o mapeamento de tecnologias emergentes, monitoramento de patentes, identificação de oportunidades de cooperação científica e industrial, além da análise de cadeias produtivas e marcos regulatórios ligados aos setores de biotecnologia, saúde, cosméticos, alimentos, biomateriais e economia circular. 

Já a Unidade de Manufatura Contratada de Pescado e Bioinsumos atuará no aproveitamento integral do pescado, transformando resíduos e subprodutos da cadeia pesqueira em produtos de alto valor agregado, como colágeno, hidroxiapatita, biomateriais, filés e bexiga natatória seca. 

A proposta busca conectar ciência, indústria, comunidades tradicionais e mercado, promovendo sustentabilidade, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial.

Durante a inauguração, o reitor Fernando Carvalho enfatizou o impacto das novas estruturas para a sociedade maranhense. “É um momento festivo, um momento em que nós estamos entregando para toda a sociedade dispositivos que realmente podem mudar o perfil da nossa Universidade. [...] Isso mostra que a Universidade, além de estar fazendo a extensão diretamente com a comunidade, também está produzindo novos produtos com alta tecnologia, e que esses produtos estarão na mesa, estarão sendo utilizados pela sociedade maranhense e pela sociedade do nosso país”, afirmou. 

A líder do Grupo de Pesquisa Ambiente, Biotecnologia e Bioeconomia (Ambio), Mickelle Sant’Anna, explicou que os espaços foram viabilizados por meio de emenda parlamentar do senador Roberto Rocha, do Ministério da Pesca e Aquicultura e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf): 

“A ideia era que a gente auxiliasse as cadeias do extrativismo no Maranhão [...] . A Universidade atua como elo entre o setor produtivo e as comunidades tradicionais e o governo, com vistas a gerar emprego e renda. Como acessar: se é uma empresa, se é uma startup, o acesso é via os mecanismos do Marco Legal, por meio de prestação de serviço técnico especializado ou elaboração de projeto de desenvolvimento P&D. E as comunidades cooperativas, nós fazemos capacitações e organizamos a cadeia, estatuto, para que elas possam concorrer aos editais e se qualificar para poder fornecer essa matéria-prima para essas empresas nos requisitos que elas precisam”. 

O ministro Edipo Araújo ressaltou o papel da UFMA na construção de soluções sustentáveis e inovadoras para o setor pesqueiro e o potencial da iniciativa para valorização das comunidades tradicionais e aproveitamento integral do pescado. 

“Hoje, inaugurar esse laboratório, que tem um olhar para agregar valor, que tem uma bandeira de bioeconomia, tem uma bandeira das questões ambientais, mas não só isso, de fortalecimento dos territórios das comunidades tradicionais, são exemplos como esse que a gente precisa replicar. Então, eu estou muito feliz de que o Ministério da Pesca e Aquicultura faz parte desse processo, é parceiro da Universidade Federal do Maranhão, e que daqui sairão bons frutos”, concluiu o ministro. 

Nos últimos anos, a UFMA tem consolidado um modelo de Universidade conectado às necessidades reais da sociedade. Os novos espaços simbolizam uma atuação acadêmica que transforma conhecimento em desenvolvimento social, econômico e ambiental, reunindo pesquisa científica, inovação tecnológica, sustentabilidade e fortalecimento das comunidades tradicionais.

Em um estado marcado pela força da pesca e da aquicultura, iniciativas como o Observatório da Inovação e a Unidade de Manufatura Contratada de Pescado apontam para um futuro em que ciência e território caminham juntos, ampliando oportunidades, agregando valor à produção local e reafirmando o papel da Universidade como agente estratégico para o desenvolvimento do Maranhão.

Informação: UFMA 

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