Iniciativa tem execução técnica do SENAI e visa transferência de tecnologias sociais
SÃO LUÍS - O projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é resultado de parceria entre a Petrobras e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) nesses estados. A iniciativa tem como objetivo promover o desenvolvimento econômico sustentável e visa como público-alvo comunidades tradicionais de pescadores, quilombolas e indígenas. Maracanã e Igaraú, em São Luís; Pindoba, em Paço do Lumiar; e Mangue Seco, na Raposa, são as comunidades no Maranhão que participam de capacitações em diversas áreas. Esses grupos terão acesso em primeira mão às tecnologias sociais desenvolvidas pelo SENAI-MA, utilizando matérias-primas como coco verde e resíduos da juçara.
Na semana passada, Diego Barbosa, representante da Petrobras responsável por fiscalizar o andamento do projeto, e José Ricardo de Oliveira Pereira, do SENAI-PA, que coordena o projeto em nível nacional, tiveram uma vasta agenda na Grande São Luís. Eles visitaram todas as comunidades onde o projeto está sendo executado, participaram de certificações de capacitação e tiveram acesso às tecnologias sociais que estão sendo desenvolvidas por consultores do SENAI Distrito Industrial. Entre elas estão filtro ecológico composto por raquíolas de cachos, caroços de juçara e casca do coco verde; pães enriquecidos com farinha de mesocarpo do coco verde e tijolo ecológico que substitui parte da água utilizada no processo de fabricação por Líquido da Casca do Coco Verde (LCCV), que descartado de forma incorreta é altamente prejudicial para o solo e corpos d’água.
Diego Barbosa destacou que o projeto tem foco em geração de renda, desenvolvimento econômico sustentável e valorização de vocações locais. Ele explicou que a iniciativa foi selecionada em processo público rigoroso e ressaltou o papel do SENAI como parceiro técnico responsável pelo desenvolvimento de soluções inovadoras, que são tecnologias de baixo custo, de fácil replicação e potencial de transferência para gerar impacto econômico real. “A atuação conjunta entre Petrobras e SENAI busca transformar recursos locais em oportunidades de negócio, fortalecer a sustentabilidade e abrir caminho para parcerias que ampliem os resultados nas comunidades atendidas”, comentou.
José Ricardo, por sua vez, avalia que o projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas” é uma iniciativa desafiadora e, ao mesmo tempo, estratégica, especialmente por envolver três estados com realidades distintas. Para ele, a proposta ganha força justamente por combinar atuação territorial, inovação e responsabilidade social, com foco em demandas concretas de cada região: segurança alimentar ligada à pesca, no Pará; desenvolvimento de novos produtos, no Maranhão, e o trabalho com comunidades tradicionais indígenas no Amapá.
Na visão do coordenador, o diferencial do projeto está na escuta ativa das comunidades e na capacidade de transformar vivências locais em conhecimento aplicado, transferência de tecnologia e oportunidades de desenvolvimento econômico e social. “O projeto está baseado em três pilares: inovação, educação e floresta. As ações só fazem sentido quando partem das necessidades reais dos beneficiários e respeitam a sustentabilidade ambiental”, frisou.
O projeto tem duração de três anos. Ao final deste primeiro ciclo, as comunidades já tiveram acesso a cursos como Educação Ambiental e de Processos Construtivos em Alvenaria. Nos próximos meses, terão capacitações como Boas Práticas de Fabricação, Fundamentos de Qualidade da Água e Técnicas de Panificação e de Fabricação de Biscoitos. “
Scheherazade Bastos, gerente do SENAI Distrito Industrial, disse que a expectativa é que as tecnologias sociais desenvolvidas sejam transformadas em oportunidades de renda para os participantes do projeto. “O objetivo do trabalho não é apenas transferir conhecimento, mas permitir que ele se converta em atividade econômica e geração de renda, com foco em qualificação, inclusão produtiva e fortalecimento comunitário”, resumiu.
Para Concita da Pindoba, presidente do Clube de Mães e dos Agricultores Familiares do Povoado da Pindoba, no município de Paço do Lumiar, as ações do projeto têm empoderado ainda mais a comunidade. Já para Scheila Souza, presidente do Instituto Amor Verdadeiro, do bairro Alegria Maracanã, em São Luís, as capacitações, como a de processos construtivos, contribuem ainda mais para a independência das mulheres.
O projeto “Fortalecimento das Cadeias Produtivas do AP, PA e MA para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é uma iniciativa em parceria com a Petrobras, por meio do seu Programa Petrobras Socioambiental, que apoia iniciativas socioambientais voltadas à promoção da inclusão produtiva, da sustentabilidade e do desenvolvimento local.
Informação: Fiema



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