Realizado no município de Raposa, “Alinhavando Memórias” reúne rendeiras, bordadeiras, artesãos, estudantes e comunidade; primeira ação do projeto já foi realizada em agosto.
RAPOSA – O Tecendo Redes Culturais nasce do reconhecimento de uma rede cultural que já existe e se movimenta nos territórios maranhenses. Realizado pelo Pontão de Cultura Instituto Maranhão Sustentável (IMAS) + Casa d’Arte, o projeto atua em São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa e Alcântara, aproximando iniciativas, grupos, coletivos e pessoas que produzem e mantêm a cultura viva em suas comunidades.
Selecionado pelo Edital nº 008/2025/SECMA/PNAB – Fomento a Projetos Continuados de Pontões de Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão, o projeto integra a política de fortalecimento da Rede Cultura Viva e propõe ações de formação, intercâmbio, comunicação e produção de memória a partir das experiências já existentes nos territórios.
A dimensão dessa rede ajuda a compreender a importância desse movimento. Dados atualizados pelo Ministério da Cultura em agosto de 2026 apontam que o Brasil possui 16.817 Pontos de Cultura e 892 Pontões de Cultura, totalizando 17.709 iniciativas certificadas. No Maranhão, o projeto registra atualmente 857 Pontos e Pontões de Cultura cadastrados, reunindo experiências ligadas às culturas populares, conhecimentos tradicionais, cultura e educação, juventude, mulheres, direitos humanos, meio ambiente, economia criativa e outras áreas.
É nesse cenário que acontece a próxima ação do Tecendo Redes Culturais. No dia 12 de setembro, o Casa d’Arte, no município de Raposa, recebe o Encontro de Saberes – Alinhavando Memórias, das 8h às 12h, que reunirá mulheres guardiãs de saberes tradicionais, artesãos, estudantes e comunidade para compartilhar técnicas, histórias e conhecimentos transmitidos entre gerações.
“O que nossas mãos aprenderam com quem veio antes?” é a pergunta que atravessa a atividade. Renda, bordado, tessituras e diferentes modos de fazer serão apresentados não apenas como técnicas, mas como conhecimentos que carregam histórias, identidades e memórias dos territórios.
Participam do encontro integrantes da Associação das Rendeiras Bilro de Ouro, bordadeiras do Boi da Floresta e do Bumba Meu Boi de Leonardo, além dos artesãos convidados Graça Maria, Telma Lopes e Marcos Ferreira, da Desalinho, e representantes da comunidade.
A proposta não é realizar uma oficina convencional. Participantes e estudantes poderão circular, observar, conversar e conhecer diferentes processos, materiais, técnicas e modos de fazer diretamente com quem mantém essas práticas vivas.
A programação também contará com uma roda de articulação cultural e uma conversa sobre produção, comercialização, geração de renda e sustentabilidade das práticas culturais. A ideia é colocar em diálogo diferentes experiências e identificar demandas comuns, possibilidades de parceria e caminhos para fortalecer a circulação desses saberes.
Um projeto que já começou
O encontro de setembro será a segunda ação do Tecendo Redes Culturais. A primeira já foi realizada em agosto, também no município de Raposa, com a oficina “Cinema e comunicação originária: formas de recriar a existência”, na Escola Municipal Maria Rosa Reis Trindade.
Conduzida por Layo Amõkanewy, indígena da etnia Kariú Kariri, cineasta, mestre em Cartografia Social e Política da Amazônia, Dubohery e professor de cultura e língua indígena, a atividade reuniu estudantes em uma experiência de formação sobre comunicação, audiovisual e produção de narrativas a partir do próprio território.
Durante a oficina, os participantes tiveram contato com noções básicas de comunicação e produção audiovisual e trabalharam a elaboração de roteiros conectados às histórias reais do cotidiano. Pessoas, lugares, acontecimentos e memórias próximas de suas experiências foram utilizadas como ponto de partida para pensar o território como matéria-prima para o cinema e para a comunicação.
A atividade também provocou uma reflexão sobre quem conta as histórias dos territórios e como essas histórias são representadas, valorizando as perspectivas de quem vive essas realidades.
Para Luzenice Macedo, coordenadora geral do projeto, o objetivo é fortalecer experiências culturais que já existem nas comunidades. “A Cultura Viva já acontece nos territórios. O que queremos é fortalecer essas experiências, criar oportunidades para que elas dialoguem e fazer com que os saberes produzidos por esses grupos possam ser reconhecidos, registrados e compartilhados”, explica.
Essa perspectiva também orienta a metodologia do projeto. Para Claudia Marreiros, coordenadora metodológica, cada atividade deve produzir algo que permaneça depois do encontro. “Não queríamos trabalhar com oficinas que terminassem quando a atividade acabasse. A ideia é que cada encontro seja também um espaço de produção de conhecimento, de fortalecimento dos vínculos e de construção de registros que possam continuar circulando e inspirando outras comunidades”, afirma.
Entre memória, território e futuro
A sequência das primeiras ações revela o percurso proposto pelo Tecendo Redes Culturais. Em agosto, estudantes foram convidados a olhar para o próprio território e transformá-lo em narrativa por meio do audiovisual. Em setembro, a proposta é aproximar diferentes gerações para conhecer os saberes que atravessam o tempo e permanecem vivos nas mãos de quem os pratica.
Formação, comunicação, memória e intercâmbio fazem parte de um mesmo movimento: reconhecer o que já existe, aproximar quem faz cultura e criar espaços para que os conhecimentos produzidos nos territórios continuem circulando.
Ao conectar São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa e Alcântara, o projeto busca fortalecer vínculos entre diferentes experiências culturais e ampliar as possibilidades de colaboração entre grupos, coletivos, mestres, mestras, estudantes e comunidades.
No município de Raposa, essa articulação ganha uma nova forma em setembro. Muitos dos conhecimentos que ajudam a contar a história cultural do Maranhão não estão apenas nos livros ou nos arquivos. Estão nas práticas cotidianas, nas histórias compartilhadas e nos saberes transmitidos entre gerações.
É a partir dessa perspectiva que o Tecendo Redes Culturais realiza sua próxima atividade, reunindo diferentes gerações em torno da valorização e da transmissão desses conhecimentos. A ação integra a programação do projeto e amplia o espaço para a escuta, a troca de experiências e o reconhecimento das práticas culturais presentes no território. A proposta é entender como esses saberes continuam sendo produzidos, compartilhados e transformados no presente.
SERVIÇO
Projeto: Tecendo Redes Culturais;
Ação: Encontro de Saberes – Alinhavando Memórias;
Data: sábado, dia 12 de setembro de 2026, das 8h às 12h;
Local: Casa d’Arte – município de Raposa (MA);
Participantes: Associação das Rendeiras Bilro de Ouro; bordadeiras do Boi da Floresta e do Bumba Meu Boi de Leonardo; artesãos Graça Maria, Telma Lopes e Marcos Ferreira, da Desalinho; estudantes e comunidade;
Área de abrangência do projeto: São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa e Alcântara;
Realização: Instituto Maranhão Sustentável (IMAS) e Casa d’Arte;
Comitê Gestor: Instituto Maranhão Sustentável (IMAS), Casa d’Arte, Grêmio Recreativo Libertos na Noite, Tapete Criações Cênicas, Grupo Passo Livre e Sociedade Junina Turma de São João Batista – Boi da Floresta;
Objetivo: Fortalecer a Rede Cultura Viva por meio de ações de formação, encontros territoriais, laboratórios colaborativos, comunicação e produção de memória;
Primeira ação realizada: Oficina “Cinema e comunicação originária: formas de recriar a existência”, realizada em agosto na Escola Municipal Maria Rosa Reis Trindade, no município de Raposa;
Fomento: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Edital nº 008/2025/SECMA/PNAB – Fomento a Projetos Continuados de Pontões de Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão;
Coordenação de Comunicação: Lanna Luz;
Informação: Assessoria de Imprensa


0 comentários:
Postar um comentário