quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O 2º Festival Palco Giratório encerrou sua programação no Maranhão após 15 dias de atividades que reuniram mais de 5 mil pessoas em diferentes espaços e cidades do estado. Realizado pelo Sesc Maranhão como parte das comemorações pelos 80 anos da instituição, o festival promoveu espetáculos e ações formativas em São Luís, Caxias, Imperatriz e Itapecuru Mirim.

Mais do que ocupar teatros e espaços culturais, a programação foi pensada para ampliar o acesso às artes cênicas e alcançar públicos diversos. Ao longo do festival, 30 instituições foram atendidas, entre elas duas casas de idosos, sete escolas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e 19 escolas públicas de educação infantil, totalizando 1.430 ingressos distribuídos.

A iniciativa reforça uma das principais características do Palco Giratório, projeto desenvolvido pelo Sesc há 28 anos e reconhecido pela circulação de espetáculos e ações formativas em diferentes regiões do país. A proposta é descentralizar a programação artística, aproximar a produção cênica brasileira de diferentes públicos e criar novas possibilidades de acesso à cultura.

Para Sandra Nunes, analista de Cultura do Sesc, curadora e produtora do Festival Palco Giratório no Maranhão, a realização da segunda edição reforça o papel do Sesc na democratização do acesso à cultura e na formação de novos públicos.

“O Palco Giratório tem um significado muito relevante e reafirma o papel que o Sesc desempenha no cenário cultural brasileiro. E, aqui no Maranhão, não seria diferente. Falar do festival é também falar da realização de vários sonhos: do artista que saiu da sua cidade pela primeira vez para circular pelo Brasil, da criança ou do adulto que foi ao teatro pela primeira vez, da pessoa que se vê representada em cena e da criança que se identifica com aquilo que está vendo”, afirmou.

Segundo Sandra, a circulação pelo Maranhão também deixa um legado que ultrapassa os dias de programação. “Foram 15 dias, quatro cidades e espetáculos de teatro, dança e circo de todo o Brasil. Mais de 5 mil pessoas passaram pelo Palco Giratório no Maranhão. Atendemos 30 instituições e distribuímos 1.430 ingressos, alcançando públicos da educação infantil à Educação de Jovens e Adultos, além de pessoas idosas. E o Palco Giratório deixa um legado: a formação de novos públicos, a imersão nos territórios, a ocupação de teatros, praças e escolas, o fortalecimento de parcerias e o intercâmbio entre grupos locais, nacionais e o público”, concluiu Sandra.

Arte que circula e aproxima

Nesta segunda edição realizada no Maranhão, o festival reuniu diferentes linguagens das artes cênicas, com espetáculos de teatro, dança e circo, além de oficinas, encontros e reflexão. A circulação por diferentes municípios também promoveu o encontro entre artistas de diversas partes do Brasil, estudantes, profissionais da cultura e comunidades.

Em São Luís, o Palco Giratório esteve presente em praças, teatros e escolas. Entre os espaços contemplados esteve o Centro Educa Mais João Francisco Lisboa (CEJOL), que recebeu o espetáculo “Jardim das Margaridas”, da Cia. Reboliço de Teatro de Bonecos (MA).

A montagem aborda a presença das mulheres no campo e, inspirada na trajetória de Margarida Alves, retrata o surgimento de um assentamento rural e homenageia mulheres que defendem a terra, a natureza, a paz e a dignidade humana.

O estudante João Nogueira, do CEJOL, acompanhou a apresentação e destacou a oportunidade de conhecer uma linguagem artística diferente. “Não é toda vez que a gente tem contato com o pessoal de fora e com a arte bonequeira. Achei uma apresentação linda”, afirmou.

Ainda em São Luís, o Festival Palco Giratório levou a magia do circo ao público com o espetáculo “Sancho Pança – O Fiel Escudeiro”, apresentado pelo Palhaço Piruá, interpretado pelo ator Rodrigo Bruggemann, da Piruá Produções Artísticas (RN). A montagem combinou humor, emoção e elementos do universo circense para provocar reflexões e criar uma experiência de aproximação com o público.

“A gente traz reflexões através do riso, através das emoções também. Porque, apesar de ser um espetáculo de palhaço, a gente chora, a gente sente, a gente vibra. E nós estamos muito felizes de participar dessa circulação pelo Palco Giratório, um projeto tão importante e necessário para esse Brasil cheio de arte”, afirmou Bruggemann.

Encontro com histórias e identidades

A diversidade de públicos e territórios também marcou a passagem do festival pelo interior do estado. Em Imperatriz, por exemplo, o espetáculo “Memórias em Maranhês: A Casa” atraiu estudantes da cidade e de municípios da região, como Itinga do Maranhão.

Para a professora Marliane Ribeiro, da UE Prof. Maria das Graças P. Luz, em Itinga do Maranhão, a experiência proporcionada pelo festival contribuiu para aproximar os estudantes das histórias e manifestações culturais do estado.

“Essa imersão cultural nas nossas histórias do Maranhão é muito importante. É impressionante e me impactou bastante. Foi emocionante conhecer a história do Tio João da Árvore. Os meus alunos também ficaram muito animados e felizes. Com certeza, eles vão levar muitas histórias para contar depois desse espetáculo”, destacou.

Em outra frente, a programação também abriu espaço para diferentes identidades e expressões culturais. É o caso de “Bumba Meu Ball”, do grupo Kora Josa Produções, que estabelece um diálogo entre a Cultura Ballroom brasileira e o bumba meu boi do Maranhão.

Para a atriz Ayana Monteiro, a montagem celebra as vidas de pessoas trans, apresenta ao público elementos da cultura ballroom e valoriza manifestações da cultura popular maranhense. A circulação pelo Palco Giratório amplia esse diálogo com diferentes públicos e territórios.

“O espetáculo mescla a narrativa a partir desses corpos marginalizados, trazendo aspectos religiosos, mas também dando visibilidade e contemplação para a cultura ballroom e para aspectos culturais que a gente já vivencia, como o bumba meu boi, que é uma manifestação da nossa cultura popular”, explica.

As experiências vivenciadas ao longo do festival mostram que a circulação artística vai além da apresentação de um espetáculo. Ao chegar às escolas, praças e diferentes espaços culturais, o Palco Giratório cria oportunidades de encontro entre artistas e comunidades e possibilita que públicos que nem sempre frequentam os espaços tradicionais de cultura tenham contato com diferentes linguagens das artes cênicas.

Para Sandra Nunes, essa diversidade de temas, narrativas e públicos também evidencia a dimensão social e cultural do festival. “São tantos assuntos, tantas narrativas. É um espaço tão diverso, mas também um espaço político. O festival é para a cidade e tem um impacto muito significativo na vida das pessoas, dos artistas e das crianças. Então, são muitas experiências que estão agregadas ao festival”, finalizou.

Informação: Sesc MA 

Fotos: Allan Martins Cunha (Allmafotos)

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