Vivência com dança e percussão valoriza tradição maranhense
SÃO LUÍS - Tradição que atravessa gerações também se aprende brincando, dançando e tocando! No Maranhão, o Bumba Meu Boi é parte viva da nossa cultura, e é nesse universo de ritmos, personagens e histórias que crianças e adolescentes estão mergulhando durante o Circuito Cultural SESI.
O primeiro dia foi marcado por muita música, percussão e dança no SESI Casarão, no Centro Histórico de São Luís. As crianças conheceram de perto os ritmos que dão vida ao Bumba Meu Boi da Floresta, sotaque da Baixada, e começaram a experimentar, na prática, os sons e movimentos dessa manifestação cultural.
Para Mirian Sofia Pereira, aluna da Escola Comunitária Casulo, do bairro João de Deus, a oficina de percussão transformou a curiosidade em experiência prática. “Eu gostei muito de aprender os instrumentos e descobrir como cada som funciona. Foi diferente de só assistir ao boi, porque a gente conseguiu participar e tocar.”
A Escola participa das atividades destinadas aos alunos com apoio da Retífica Atual, empresa do segmento de reparação automotiva.
Alice Santos, também participou da programação, mas foi a dança que chamou sua atenção. Para ela, aprender os movimentos ligados ao Bumba Meu Boi tornou a atividade uma oportunidade de conhecer uma manifestação que faz parte da identidade maranhense. “Foi muito legal aprender os passos e dançar junto com outras crianças. A gente aprende uma coisa nova e, ao mesmo tempo, conhece uma parte importante da nossa cultura. Foi uma experiência que eu gostaria de repetir.”
A oficina de percussão foi conduzida por Neto Silva, que atua no Boi da Floresta e desenvolve atividades de recepção, formação e transmissão dos conhecimentos ligados ao grupo. A relação dele com a manifestação começou ainda na infância, quando morava na mesma rua da sede do boi. Em 2009, ele participou do projeto Floresta Criativa, iniciativa que oferecia à comunidade contato com diferentes ofícios relacionados ao grupo. A partir dali, aprendeu percussão, dança e outros elementos da manifestação. Depois, passou a compartilhar o conhecimento adquirido em novas oficinas. “É muito importante ver crianças que nunca tiveram contato com um instrumento descobrindo esses sons. Quando ensinamos uma batida, um movimento ou uma história, estamos ajudando a manter uma tradição que atravessa gerações. O Boi da Floresta não existe somente no período junino; ele faz parte de uma vivência permanente”, afirma Neto.
A transmissão desse conhecimento também faz parte da trajetória de Larissa Maciel, índia do Boi da Floresta. Ela conta que ingressou na manifestação ainda adolescente e cresceu acompanhando familiares que participam do grupo.
Segundo Larissa, atualmente os dois filhos também integram o boi. Para ela, apresentar essa tradição a novos públicos significa ampliar as possibilidades de continuidade da manifestação. “Minha família inteira participa, desde meus avós até meus filhos. Então, quando ensino alguma coisa para uma criança, sinto como se estivesse transmitindo esse conhecimento para alguém da minha própria família. É muito importante mostrar a elas que a cultura também pode ser vivenciada, tocada e dançada”, diz.
A coordenadora de Saúde e Segurança da Indústria do SESI-MA, Adriana Sabatini, afirma que iniciativas culturais voltadas ao público infantojuvenil contribuem para ampliar o repertório dos estudantes e aproximá-los de manifestações presentes na história do estado. “O Circuito Cultural proporciona uma experiência que vai além da apresentação artística. Ao colocar crianças em contato direto com mestres, artistas, instrumentos e manifestações tradicionais, criamos possibilidades de aprendizado por meio da vivência. É uma forma de aproximar esse público das raízes maranhenses e estimular o interesse pela preservação do nosso patrimônio cultural”, afirma.
MEMÓRIA E CONTINUIDADE- O circuito segue pelo Centro Histórico na sexta-feira (2), quando os participantes visitarão o Museu da Igreja do Carmo. Na sequência, haverá apresentação do Bumba Meu Boi da Floresta na Praça João Lisboa.
A programação integra uma iniciativa realizada pelo Serviço Social da Indústria do Maranhão (SESI-MA), com apoio do Departamento Nacional do SESI, por meio do Programa Nacional de Cultura. Iniciado em julho, o Circuito Cultural SESI-MA já passou por São José de Ribamar, Açailândia, Rosário e Caxias. A programação contempla crianças e adolescentes em atividades que combinam oficinas, apresentações artísticas e visitas guiadas.
Ao longo do percurso, foram abordadas manifestações como Tambor de Crioula, Capoeira, Quadrilha Junina e Bumba Meu Boi. O roteiro também incluiu linguagens e saberes relacionados ao cordel, à culinária, ao teatro visita aos museus.
A proposta é criar uma experiência capaz de aproximar novas gerações de conhecimentos que, durante décadas, foram transmitidos principalmente dentro das próprias comunidades.
No caso do Boi da Floresta, essa continuidade passa pelo contato direto com os instrumentos, pelos movimentos da dança e pelas histórias relacionadas ao sotaque da Baixada. Para as crianças, a tradição deixa de ser apenas algo observado durante o período junino e passa a ser uma experiência vivida.
Informação: Fiema



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