sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Projetos mostram como pesquisa e apoio tecnológico podem ampliar o aproveitamento de matérias-primas do Maranhão

SÃO LUÍS – Farinhas da casca e da coroa do abacaxi, pães, cookies e cosméticos à base de mel mostram como matérias-primas do Maranhão podem dar origem a novos produtos e negócios. Essas aplicações integram os projetos de verticalização das cadeias do abacaxi Turiaçu e do mel apresentados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-MA) no Mundo SENAI 2026 em São Luís, nos dias 5 e 6 de novembro. A programação permite ao público conhecer o apoio tecnológico da instituição ao desenvolvimento de produtos e ao aproveitamento de insumos regionais.

Verticalizar uma cadeia produtiva significa incorporar etapas de transformação à matéria-prima, com a fabricação de derivados que ampliem suas possibilidades de comercialização. Nos projetos apresentados, o SENAI-MA demonstra como a pesquisa pode ajudar produtores e empresas a diversificar a produção e aproveitar partes dos frutos que costumam ser descartadas.

Segundo o consultor tecnológico do SENAI-MA na área de Alimentos e Bebidas, Marcos Cruz, o trabalho com o abacaxi Turiaçu começou com 12 produtos, avançou para 32 e chegou a 58. O objetivo é mostrar a produtores rurais e empreendedores as possibilidades de processamento de uma matéria-prima cultivada no estado. “Existe possibilidade de agregar valor utilizando um produto regional”, afirma.

DO ABACAXI À PANIFICAÇÃO - Entre os desenvolvimentos mais recentes estão produtos de panificação e confeitaria. Além da polpa, a equipe utiliza farinha obtida da casca e da coroa do abacaxi em preparações como pães integrais, panetones, cookies e brownies. O trabalho busca ampliar o uso do fruto e transformar partes pouco aproveitadas em ingredientes para outras formulações.

Marcos também destaca o abacaxi em folha e as passas produzidas com a parte central da fruta, de textura mais firme, que muitas vezes é descartada no preparo. Esses exemplos mostram que a diversificação envolve tanto novas formas de consumo quanto o aproveitamento de resíduos do processamento.

No Maranhão, Turiaçu e São Domingos do Maranhão estão entre os municípios produtores de abacaxi. Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produziu 38,4 milhões de frutos em 2025, com São Domingos do Maranhão na liderança estadual.

Embora a variedade Turiaçu concentre a maior parte das pesquisas, o consultor tecnológico explica que a equipe também trabalha com o abacaxi Pérola, produzido em São Domingos do Maranhão e em outras regiões. A proposta de verticalização da fruticultura deve abranger ainda matérias-primas como manga, goiaba e tamarindo, com alternativas de transformação em doces, compotas, geleias e outros derivados.

A intenção, segundo Marcos, é ampliar a oferta de produtos para além do período de colheita. “Além de colher aquela fruta, ele pode transformar em outro produto”, diz sobre as possibilidades para o produtor rural.

MEL COMO MATÉRIA-PRIMA - Na cadeia do mel, a diversificação também alcança a área de cosméticos. De acordo com o consultor tecnológico, o trabalho reúne 32 produtos, entre eles sabonetes líquidos e em barra, hidratantes para as mãos, cremes faciais, gloss labial, esfoliantes e sais de banho. As formulações associam o mel a outras matérias-primas.

Essa frente de desenvolvimento encontra no estado uma base produtiva que inclui municípios como Santa Luzia do Paruá, Maranhãozinho e Centro do Guilherme. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, o Maranhão produziu cerca de 4,6 mil toneladas de mel em 2025. Santa Luzia do Paruá liderou a produção nacional naquele ano, com mais de 1,3 mil toneladas.

A proposta do SENAI-MA é ampliar as alternativas de processamento no Maranhão e estimular negócios que incorporem novas etapas à cadeia produtiva. Marcos defende que produtores tenham acesso a conhecimento e estrutura para transformar o mel em derivados, além da comercialização do produto bruto.

“É importante investir no estado, com estrada, com estrutura, para que esse produtor também possa ganhar conhecimento”, afirma o consultor tecnológico. Na avaliação dele, a capacitação e o apoio tecnológico são necessários para que essa diversificação se converta em oportunidades de produção.

PESQUISA E APOIO ÀS EMPRESAS - Os projetos demonstrados no Mundo SENAI exemplificam os Soluções em Tecnologia e Inovação (STI) da instituição. A atuação inclui consultorias, capacitações tecnológicas, ensaios laboratoriais e pesquisas aplicadas à criação de soluções para demandas do setor produtivo.

Marcos explica que esse suporte pode começar com uma ideia de negócio e avançar para a pesquisa e a elaboração de protótipos, versões iniciais que permitem testar o produto. O trabalho envolve conhecimento técnico, estrutura de laboratórios e avaliação das condições de desenvolvimento e da segurança dos alimentos.

O Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, no Monte Castelo, integra essa estrutura. O espaço oferece apoio técnico, laboratórios de fabricação digital e ambientes de experimentação para o desenvolvimento de produtos e soluções, além de conectar empreendedores às demandas da indústria.

Informação: Fiema 

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