Embrapa Cocais e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado – SECTI, em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular - SEDIHPOP e a startup Conecta Brasil 360, estão construindo desde 2021 metodologia técnico-científica de implantação, monitoramento e avaliação de estratégia de inovação social no estado do Maranhão a ser transformada em política pública no âmbito do Programa Inova Maranhão, do Governo do Estado.
Em novembro, essas e ainda outras instituições parceiras trocaram experiências e expectativas durante o I Encontro da Rede de Inovação Social do Maranhão, realizado na Locomotiva Hub, da Secti. Entre os objetivos do encontro, apresentação do que já foi realizado o momento, engajamentos das organizações presentes até na formação da Rede de Inovação Social e no trabalho dos territórios.
A chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Cocais, Guilhermina Cayres, destacou a importância de se ter a Rede de Inovação Social para que os projetos se complementem e ganhem escala de impacto de acordo com a necessidade real e prioritária descrita por cada comunidade que passa pelo processo de inovação social. E também para que as quebradeiras de coco e demais participantes dos processos de inovação social se tornem donas do próprio negócio, ganhem autonomia e se reconheçam e se valorizem pessoal e socialmente. “Inovação social é processo, meio de se chegar a algum objetivo definido pelos participantes da inovação. O papel da pesquisa é contribuir no desenvolvimento da tecnologia e/ou do produto com valor de mercado para defender o saber e os modos de fazer tradicionais,
Segundo ela, é importante que as organizações comunitárias também componham uma rede de intervenção para que sejam protagonistas do processo. “Apresentamos o que o grupo de trabalho da inovação social fez até agora, que é a construção da metodologia que está sendo replicada em Magalhães de Almeida e que iniciou no Pedrinhas Clube de Mães. A metodologia precisa ser replicável, mensurável e com impacto social e propiciar que as comunidades sejam as principais beneficiárias”.
O secretário-adjunto de inovação e cidadania digital, Nivaldo Costa Muniz, relembrou de como iniciou uma parceria, com a Embrapa Cocais convidando a Secti para unir forças na gestão do trabalho das quebradeiras de coco. “Daí tiramos o sonho do papel, pois já sonhávamos com política pública de inovação social e já desenvolvíamos o programa Inova Maranhão. Hoje estamos aqui, com o processo de construção da metodologia de inovação social já bastante adiantado”.
Para Gabriela Rodrigues, assessora da Secti, as comunidades tradicionais promovem seu processo de inovação social há muito tempo. “Nosso papel é promover essas tecnologias sociais, que impactam não só para a qualidade de vida dessas mulheres como também o desenvolvimento dos territórios em que estão. É uma colaboração com processos que já estão em movimento na comunidade, processos de impacto social”.
Letícia Chiari, diretora da Conecta Brasil 360 disse que a intenção é que a Rede de Inovação Social construída para cada projeto/território tenha acesso aos indicadores, metodologias, resultados e compartilhem isso entre si. “Uma das coisas mais importantes sobre esse processo é que a comunidade, a partir da teoria da mudança, com a visão de impacto construída, resultados delineados e indicadores definidos, pode tomar a frente do seu processo, com protagonismo e autonomia para decidir quem eo que pode fazer para contribuir no seu caminho”.
Outro ponto discutido no evento foi o delineamento futuro da política de inovação social e o repasse da metodologia por meio da capacitação de agentes locais e multiplicadores de inovação social e ainda o desenvolvimento de um observatório de inovação social online.
O início de tudo
A inovação social em parceria com quebradeiras de coco se espelhou no negócio Delícias do Babaçu, gerido por quebradeiras de coco babaçu quilombolas da Comunidade de Pedrinhas Clube de Mães de Anajatuba – MA. A Embrapa Cocais buscou uma startup Conecta Brasil 360 para fornecer visibilidade, conexão e estruturação de negócios para os produtos originários do coco babaçu. Existe a distribuição dos produtos de babaçu, mas com margem a avançar na profissionalização do negócio, para estruturar melhor o empreendimento coletivo e promover a gestão da agroindústria voluntária, identificação e agregação de valor aos diversos coprodutos do babaçu e construção da marca, do processo e do negócio.
A Embrapa Cocais está há mais tempo nesse processo. Em 2017, foi iniciado o trabalho com professores e pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão - UFMA, do Instituto Federal do Maranhão - IFMA, chefs de cozinha e outros parceiros institucionais para desenvolvimento de novos alimentos (sem glúten e sem lactose), como biscoitos e sorvetes - já fabricados pelas quebradeiras -, com características exigidas pelo mercado. Chefs e pesquisadores apreciaram diferentes técnicas de fabricação e preparo para melhorar a aceitação pelo consumidor e aumentar o tempo de prateleira.
Atualmente está em processo de finalização a bebida tipo leite e a angélica de queijo originário do babaçu e, em processo, alimento tipo leite condensado, bebida tipo café, farinha de amêndoa, amêndoa ralada, hambúrguer e processamento do gongo”.
Inova Maranhão
É um Programa do Governo do Estado, vinculado à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), que tem como objetivo estimular, junto à sociedade maranhense, o desenvolvimento de ações voltadas para a inovação, empreendedorismo, desenvolvimento tecnológico, desenvolvimento sustentável e inovação social. O programa nasceu em 2015, inicialmente como um programa de incubação de Startup.
Territórios envolvidos
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA Comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães, Anajatuba / Itapecuru-Mirim, MA. Grupo de maioria feminina, com produção de alimentos e outros produtos derivados do babaçu.
VALIDAÇÃO DA METODOLOGIA Povoado Alto Alegre, distrito de Custódio Lima, Tabuleiro de São Bernardo, Magalhães de Almeida, MA. Grupo de maioria masculina, com produção de frutas e mandioca para indústria cervejeira.
Informação: Embrapa MA

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