sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Especialista do HU-UFMA reúne dicas para prevenção de infecções ao longo da folia

São Luís (MA) – Carnaval é, para muita gente, o início de uma maratona: blocos, ensaios, caminhadas longas e horas em pé. Para ajudar a população a aproveitar com mais segurança, Bernardo Witlin, infectologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), destaca alguns dos principais tipos de infecções e dicas de prevenção.  

Infecções respiratórias e intestinais

Embora as IST’s sejam abordadas com maior evidência durante o carnaval, outras infecções merecem atenção e devem ser prevenidas. Bernado Witlin faz o alerta. “Neste período há um maior risco de contágio das infecções respiratórias virais, cuja frequência aumenta quando tem eventos com grande aglomeração e eu acho que vale destacar também as gastroenterites agudas, que não são transmitidas de pessoa a pessoa, mas tem maior risco quando as pessoas saem e acabam consumindo, sejam alimentos ou água, de procedência duvidosa e desenvolvendo diarreia aguda e vômitos”.

Nestes quesitos, alguns dos cuidados gerais recomendados vão desde evitar aglomeração por um longo período, buscar locais arejados, além de observar com atenção onde comer ou se há sinais de violação nos lacres das garrafas de água.

A doença do beijo (mononucleose infecciosa)

Na lista das infecções mais comuns do carnaval está a famosa doença do beijo. Causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) é transmitida principalmente pela saliva e, dentre os sintomas estão: febre, dor de garganta e aumento nos linfonodos do pescoço, popularmente chamado de íngua. “É uma infecção leve a moderada, autolimitada, ou seja, tende a passar sozinha. Pode causar um desconforto bastante significativo durante o seu curso, mas não existe nenhum tratamento específico. Os casos graves são incomuns”, tranquiliza o infectologista.   

Outras infecções que não são a doença do beijo, mas podem ser transmitidas pelo beijo são: “as amigdalites, sejam elas bacterianas ou virais e, as próprias viroses respiratórias também podem ser transmitidas pelo beijo”, enfatiza.

HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST’s).

Outras infecções causadas pelo contato sexual, sobretudo sem prevenção, estão dentre os casos que requerem cuidado, sífilis, gonorreia, clamídia, herpes, HPV, hepatite B, além do próprio HIV. Alguns desses vírus causam doenças, que apesar dos avanços científicos, ainda não tem cura, como no caso da Hepatite B e do HIV. Além desses, a infecção do HPV pode levar ao aparecimento de alguns tipos de câncer.  Neste aspecto, as principais formas de prevenção incluem a testagem periódica e o uso de preservativo durante a relação sexual.  

Para acrescentar, o infectologista Bernardo Witlin destaca recursos como o PrEP e PEP. A Profilaxia Pré Exposição (PrEP) é um medicamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) utilizado antes da exposição ao HIV ou por pessoas de risco contínuo de contágio. Já a Profilaxia Pós Exposição (PEP) é um tratamento emergencial, iniciando em até 72 horas após a possível exposição ao HIV. “Os serviços que atualmente ofertam a PrEP e a PEP, além de fazer testagem do HIV, têm foco em outras IST’s, então eles fazem testagem de sífilis, a depender da queixa também para gonorreia e fortalecem as informações em relação à prevenção a outras infecções deste tipo. Então, por mais que a PrEP e a PEP sejam uma tecnologia voltada para a prevenção do HIV, a abordagem no serviço de saúde tenta abranger outras infecções sexualmente transmissíveis”, orienta. 

Hidratação contínua

Essa festa popular que contagia e mobiliza todo país ocorre em pleno verão, estação do ano com registro das temperaturas mais altas. E, mesmo não sendo da seara das infecções, um dos cuidados básicos no Carnaval é a hidratação. “As pessoas saem, dançam, se divertem e isso também acaba levando a uma tendência à desidratação. Então, é importante se precaver, se prevenir sempre procurando se hidratar”, afirma Bernardo.

Sobre o consumo de álcool e o risco de desidratação, o infectologista, destaca que o consumo abusivo de bebida alcoólica pode levar a intoxicação. Além disso, o álcool estimula uma diurese, ou seja, maior quantidade de urina e pode predispor a uma desidratação. Nestes casos, segundo o médico, não existe uma quantidade ideal de água a ser consumida, o importante é ter atenção para não haver exageros. “Casos de intoxicação pelo excesso de consumo de álcool pode levar a vômitos, o que também favorece à desidratação. Então, a gente tem que tomar cuidado de sempre estar se hidratando, seja bebendo bebida alcoólica ou não, pois é isso que minimiza o risco de desidratação”.

Sobre a Ebserh

O HU-UFMA faz parte da Rede Ebserh desde 2013.  Vinculada ao MEC, a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

Informação: HU-UFMA 

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