quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Encontros orientaram empresários sobre impactos do novo modelo tributário

 

IMPERATRIZ – A Reforma Tributária deixou o campo das projeções e já começa a influenciar decisões estratégicas dentro das indústrias brasileiras. Com mudanças estruturais na forma de arrecadação e na lógica de incidência dos tributos sobre o consumo, o novo modelo impactará diretamente a formação de preços, o fluxo de caixa, contratos e a competitividade das empresas. Foi com esse foco que empresários, contadores e gestores participaram do “II Seminário Reforma Tributária: Mudanças que impactam negócios e profissionais”, realizado em Balsas (23/02) e Imperatriz (24/02).

A discussão foi uma iniciativa do Projeto Inova Indústria, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) com parceria institucional do SEBRAE, e que contou com a participação do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Maranhão (CRCMA). Embora a implementação do novo modelo tributário ocorra de forma gradual até 2033, os especialistas deixaram claro que as empresas precisam iniciar imediatamente seus estudos de impacto. A transição exigirá convivência entre o modelo atual e o novo sistema, o que amplia a complexidade operacional nos próximos anos. Entre os principais pontos de atenção destacados nos seminários estão a revisão da formação de preços, a análise de contratos de médio e longo prazos, a reavaliação da cadeia de fornecedores, a gestão de créditos tributários e a adequação de sistemas fiscais e contábeis.

Em Balsas, com a palestra “As principais mudanças na Reforma Tributária para o agronegócio e a indústria”, o contador com MBA em Direito Tributário, Ângelo Costa, enfatizou que a principal transformação será a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo de IVA dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios. De acordo com os palestrantes, o momento é de planejamento estratégico. “A Reforma não será apenas uma mudança de alíquota. Ela altera a lógica de tributação. Quem compreender essa lógica antes terá mais previsibilidade e competitividade”, enfatizou Ângelo Costa.

Cíntia Ticianeli, vice-presidente da FIEMA e diretora do Sindicato das Indústrias de Cana, Açúcar e Álcool do Maranhão e Pará (Sindicaálcool), disse que o seminário foi uma oportunidade de discutir como as indústrias do Maranhão estão sendo preparadas para as mudanças trazidas pela Reforma Tributária. “A implementação da Reforma Tributária exige preparação ampla e antecipada de empresas. Por isso é importante o aprendizado contínuo e a capacitação dos empresários locais diante do impacto esperado das mudanças”, disse Cíntia.

Para os participantes, o conteúdo trouxe clareza sobre a dimensão prática das mudanças. O empresário Amarildo Jesus avaliou que o debate foi decisivo para antecipar decisões internas. “A gente percebe que não é algo distante. Precisamos rever contratos, discutir preços e preparar a equipe contábil desde já. Quem se antecipar terá vantagem”, afirmou. Já a contadora Luana Silva, que atua junto a indústrias da região, destacou a importância da integração entre áreas técnicas e gestão. “O desafio não é apenas fiscal. É estratégico. A Reforma impacta fluxo de caixa, margem e planejamento de investimentos. Eventos como este ajudam a traduzir a legislação para a realidade das empresas”, pontuou.

Além do contador Ângelo Costa e Fernando Henrique, presidente do CRCMA, que estiveram também em Imperatriz, participaram das discussões em Balsas Gilmara Martins, auditora fiscal da SEFAZ-MA; Sâmara Cardoso, diretora de Gestão Tributária da Secretaria Municipal de Finanças de Balsas, e João Neto Franco, diretor da FIEMA. Fernando Henrique elogiou a iniciativa da FIEMA de disseminar conhecimento no meio empresarial e contábil do estado e colocou o CRCMA como parceiro de primeira ordem.

COMPETITIVIDADE – Para o setor industrial, a Reforma traz desafios, mas também oportunidades. A proposta de não cumulatividade ampla e maior transparência tende a reduzir distorções e litígios no médio prazo. No entanto, os impactos serão diferentes conforme o setor e o modelo de negócios de cada empresa.

Por isso, a orientação é que empresários não aguardem a regulamentação completa para iniciar estudos internos. Simulações financeiras, mapeamento de riscos e capacitação das equipes já fazem parte da agenda recomendada pelas entidades. A iniciativa de discutir essa temática com os diversos segmentos industriais integra o programa Inova Indústria e ressalta a importância da atuação conjunta das entidades empresariais na preparação do setor produtivo maranhense para um novo ciclo econômico.

Para Richard Seba Caldas, presidente do Sindicato das Indústrias de Construção de Estradas Terraplenagem e Obras de Engenharia em Geral da Região Tocantina (Sinduscon do Oeste), que representou a FIEMA no debate em Imperatriz, a Reforma Tributária é um marco que exige preparo técnico e visão estratégica. “A indústria maranhense não pode ser espectadora desse processo. A Reforma altera estruturas, impacta custos e exige decisões antecipadas. Nosso papel é garantir que o empresário tenha informação qualificada para agir com segurança e manter sua competitividade”, destacou.

Informação: Fiema 

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