Crianças com TEA participam de atividade especial de Carnaval
Abram alas para o bloquinho da inclusão! Mais de cem crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) participaram, ao longo da semana, de uma programação especial de Carnaval na Clínica de Medicina Preventiva da Hapvida, em São Luís. A iniciativa reuniu pacientes, familiares e profissionais em atividades que utilizaram o pretexto da temporada de folia para promover a socialização entre as crianças e, com isso, estimular autonomia e desenvolvimento.
Em grupos de dez, as crianças participaram de diversas atividades, que incluíram a confecção de itens típicos da festa, como máscaras, instrumentos de percussão, chocalhos e acessórios para fantasia, utilizando materiais como garrafas PET, folhas de EVA, papel crepom, cola, tesouras, confetes e serpentina. As próprias crianças escolheram o que queriam produzir e participaram ativamente do processo criativo. Ao final, com máscaras e instrumentos nas mãos, seguiram em cortejo pela unidade, formando um animado bloquinho de Carnaval.
Aline Sandes, psicóloga da Hapvida especialista em psicomotricidade e integrante da equipe que acompanha as crianças com TEA, destacou que as datas comemorativas são aproveitadas para promover atendimentos coletivos, já que, no dia a dia, as terapias costumam ser individuais. “Durante o ano, realizamos programações em datas como Carnaval, Páscoa e Natal. É um momento multidisciplinar, em que todas as especialidades se unem na mesma sala”, explica.
Sandes explicou que atividades como a realizada no Carnaval contribuem para desenvolver a coordenação motora fina e, especialmente, a socialização. “A criança com TEA precisa muito dessa socialização, mas muitas vezes têm pouco acesso a ela no cotidiano. Quando juntamos as crianças, estimulamos essa interação e também observamos como reagem umas com as outras, algo que não conseguimos avaliar da mesma forma no atendimento individual”, pontua a especialista.
A fonoaudióloga Cláudia Buzar, especialista em TEA, também reforça a importância da interação. “São crianças que precisam dessa interação, justamente porque, às vezes, tendem ao isolamento. Nesse momento, a gente trabalha a troca de ideias, o olhar para o que o colega está fazendo”, afirma. Segundo ela, atividades em grupo ajudam a estimular a comunicação e a capacidade de interação. “A gente reforça essa confiança e mostra que eles têm capacidade de interagir e de produzir”, conclui.
DESENVOLVIMENTO
Vestida com um macacão de personagem da Disney, Isabela Cutrim, de dez anos, recorta estrelas coloridas para confeccionar a própria máscara de Carnaval. O desenvolvimento de habilidades é visível na menina que, há três anos, tinha dificuldades na memória, na comunicação e na aprendizagem.
“Parecia que as coisas não ficavam na cabeça dela. A gente explicava e ela não absorvia. Ela não se comunicava bem e socializava pouco”, relembra o pai, Nilson Cutrim, que hoje comemora a evolução da filha, diagnosticada há três anos com TEA e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). “É incrível a melhora que ela teve, o quanto ela já conversa. A gente percebe a evolução no desenvolvimento dela e vê o tratamento surtindo efeito”, afirma.
Para a coordenadora da Clínica de Medicina Preventiva da Hapvida, Adriana Anjos, o tratamento precisa ir além do atendimento individual no consultório. “O desenvolvimento acontece quando unimos estímulos terapêuticos à vivência social e ao lúdico. Nessa ação que organizamos, o Carnaval deixa de ser só uma festa popular para se tornar uma ferramenta de trabalho multidisciplinar. Cada sorriso representa uma conquista nesse processo”, conclui.
Informação: Cores Comunicação



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