Projeto do SENAI-MA, em parceria com a Petrobras, aponta caminhos para sustentabilidade, bioeconomia e empreendedorismo comunitário
SÃO LUÍS – O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Maranhão (SENAI-MA) certificou moradores do bairro Maracanã, em São Luís, no curso de Educação Ambiental na semana passada. A formação integra o projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal”, desenvolvido em parceria com a Petrobras e voltado a comunidades com forte relação com recursos naturais. Os juçarais do Maracanã e os resíduos provenientes da produção da juçara são foco da iniciativa no território que é conhecido pela produção do fruto.
O Maracanã reúne história, cultura popular e áreas ambientais sensíveis, como juçarais, brejos e nascentes. Nesse território, a juçara ocupa papel central na alimentação, na economia local e na identidade comunitária. Também concentra desafios ligados ao descarte de resíduos, à pressão urbana e à perda gradual de áreas naturais. A proposta da formação nesse território partiu dessa realidade. Ao invés de apresentar soluções distantes do cotidiano local, a formação tratou do uso responsável da juçara, do reaproveitamento de resíduos e de práticas simples de cuidado com solo e água. A ideia é mostrar que preservação ambiental e a geração de renda podem caminhar juntas, desde que haja conhecimento e organização.
CONHECER PARA PRESERVAR - Guia local e pesquisador do território, Adriano Algarves destacou que o Maracanã concentra nascentes que alimentam rios importantes da Ilha de São Luís. Segundo ele, a juçareira funciona como indicador ambiental, pois sua presença aponta áreas de recarga hídrica. “Onde há juçara, há água. Quando o juçaral some, a nascente enfraquece”, explicou durante a visita técnica realizada com os alunos. Adriano também relembrou que boa parte do seu conhecimento ambiental da região nasceu da observação e da prática comunitária. Trilhas, lagos e áreas preservadas mostram alternativas ao uso predatório do território. Para ele, educação ambiental passa pelo reconhecimento do valor do que já existe.
A presidente da União de Moradores do bairro Alegria Maracanã e conselheira do Conselho Gestor da APA Maracanã, Adelina Ferraz avaliou o curso como uma oportunidade de dar visibilidade aos juçarais e à cultura local. Ela ressaltou a relação direta entre preservação ambiental e a continuidade da Festa da Juçara, que acontece em outubro desde 1970 e integra o calendário cultural de São Luís.
Segundo Adelina, a formação trouxe discussões práticas sobre resíduos e possibilidades de reaproveitamento do caroço da juçara. Ela citou ações como compostagem, produção de biojoias e a busca por alternativas que transformem descarte em matéria-prima para novos processos. Para a aluna e líder comunitária, falta acesso a equipamentos e parcerias que permitam ampliar essas iniciativas. Daí a relevância de iniciativas como essa do SENAI-MA em parceria com a Petrobras.
ALTERNATIVAS ECONÔMICAS - A dimensão social do curso é muito evidente no relato de Joelma da Paz Queiroz Cordeiro, marisqueira e uma das alunas certificadas. Ela relatou que já produzia sabão e outros produtos de limpeza a partir do reaproveitamento de óleo usado. No curso, encontrou respaldo técnico para o que já fazia na prática. Joelma chamou atenção para o impacto do descarte irregular de lixo e do esgoto a céu aberto que impactam rios do Maracanã. Para ela, a educação ambiental ajuda a comunidade a entender que o dano atinge todos os moradores. “Se a gente não cuida do lugar onde vive, ninguém vai cuidar”, afirmou.
Instrutora do SENAI-MA, Kellen Luz explicou que o curso buscou ampliar a visão dos alunos sobre a cadeia da juçara. Até então, a exploração local se concentrava quase exclusivamente na polpa do fruto. O caroço, que demora a se degradar, costuma ser queimado ou jogado em áreas abertas, o que gera poluição e contaminação do solo.
Com a formação, os participantes passaram a enxergar o resíduo como insumo. Entre as possibilidades apresentadas estão o uso do caroço na produção de filtros para tratamento de água, aplicação em biofertilizantes e incorporação em processos da construção civil, como tijolos ecológicos, cuja produção tem menor impacto ambiental. A proposta não substitui saberes locais, mas adiciona técnica e segurança ao que já existe. A juçara também é base para produtos alimentícios e artesanais, capazes de gerar renda ao longo do ano e não apenas durante a safra. “A lógica apresentada aos alunos foi simples: aproveitar melhor o que o território oferece, reduzir desperdícios e criar alternativas econômicas vinculadas à preservação”, falou Kellen.
Além do Maracanã, o SENAI-MA já certificou em Educação Ambiental moradores da Pindoba, no município de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. As formações, que inclui cursos como Processos Construtivos nessas e em outras comunidades, representa mais que uma certificação. É um passo dentro de uma estratégia maior de bioeconomia, construída com apoio da Petrobras, que conecta educação profissional, tecnologia e protagonismo comunitário. No Maranhão, a juçara e o coco verde concentram grande parte dessa atenção por sua abundância e relevância social.
O projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia da Amazônia” é desenvolvido em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que investe em iniciativas voltadas à conservação ambiental, desenvolvimento sustentável, inclusão produtiva e ao fortalecimento das comunidades.
Informação: Fiema
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