terça-feira, 21 de julho de 2026

Ao todo, oito indústrias e oito startups participam da iniciativa como residentes no Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, em São Luís

SÃO LUÍS - O uso de drones para arqueação de navios, a criação de insetos para a produção de ração animal e a produção de filamentos produzidos a partir da mandioca para uso em impressora 3D são alguns dos projetos residentes no Programa de Inovação Aberta 2026, do Hub SENAI de Inovação e Tecnologia. Indústrias, startups e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Maranhão (SENAI-MA) estão imersos em uma jornada colaborativa que busca soluções para desafios industriais reais. O objetivo é elevar o setor industrial maranhense a um outro patamar, com pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação.

O programa reúne oito indústrias e oito startups em uma residência empresarial desenhada para transformar demandas do chão de fábrica em projetos práticos, conectando empresas a laboratórios, especialistas e metodologias de inovação do SENAI-MA. As indústrias participantes são: Sabor da Ilha, Dona Cervejaria, Dona Service Car, Mundo de Coisas, Acerolima, Somos Kambada, Tirirical Bosch Car Service e Datatech Serviços, todas com desafios específicos que podem se beneficiar de pesquisa aplicada e prototipagem oferecida pelo Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, que funciona na unidade do SENAI Monte Castelo, em São Luís.

Do lado das startups, os projetos mostram a diversidade de soluções que o ecossistema local vem produzindo: Drones As a Service trabalha com aplicações em aeronaves não tripuladas para mensurar o peso da carga transportada por uma embarcação; Biofábrica São Luís propõe produzir superproteínas a partir de insetos; Indelével produz biofilamentos a partir da mandioca, e Sintropia busca bioinsumos para cosméticos. Além dessas startups, Riskon Tecnologia, Synapta Industry, Nouhau e Miniverso, atuam respectivamente com softwares para segurança do trabalho, adaptação de processos para neurodivergentes e PCDs, tecnologias para desenvolvimento de pessoas e realidade virtual aplicada a processos produtivos.

Raul Loiola, consultor do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MA), explicou que o Hub SENAI de Inovação e Tecnologia funciona como uma porta de entrada para as competências do SENAI, aproximando startups, indústrias e instituições de ensino em torno de problemas concretos da indústria maranhense e permitindo que demandas reais encontrem laboratórios e especialistas capazes de convertê‑las em inovação prática. Já o diretor regional interino do SENAI-MA, César Miranda, enfatizou que o objetivo do Hub é oferecer não apenas um espaço físico, mas um conjunto completo, com técnicas, laboratórios, consultoria e metodologias para que as indústrias maranhenses se tornem mais competitivas, sustentáveis e qualificadas para enfrentar a concorrência nacional.

COOPERAÇÃO - A agenda de integração do Programa de Inovação Aberta 2026, realizada na última sexta-feira (17/07), incluiu apresentações rápidas (one‑minute pitches), duas rodadas de intermediação de parcerias entre indústrias e startups, formação de alianças e a construção dos primeiros planos de trabalho, etapas pensadas para acelerar a identificação de sinergias e o início de projetos conjuntos já nos primeiros dias de residência. O formato foi pensado para que as conversas possam ir direto ao ponto: em rodadas curtas cada residente expõe sua necessidade e, em seguida, forma parcerias com quem pode resolver aquele obstáculo com tecnologia ou conhecimento técnico.

Cláudio Urbano afirmou que a Biofábrica São Luís busca, além do know-how do próprio SENAI-MA como instituição de ciência, tecnologia e inovação, a possibilidade de utilizar o espaço físico da instituição e trocar experiências com outras empresas instaladas no Hub. “Já identificamos afinidade com pelo menos duas iniciativas do ecossistema: uma cervejaria, cujo rejeito pode ser aproveitado na alimentação dos insetos, e uma empresa de polpa de frutas, cujo bagaço e cascas também podem servir como insumo ou suplementação para os insetos. Para o sócio da Biofábrica, o ambiente representa uma oportunidade de inovação, cooperação e desenvolvimento tecnológico.

A gerente comercial da Dona Cervejaria, Alinne Santana, disse que é uma honra fazer parte da residência. “Quando chegamos, vimos uma infinidade de possibilidades. Além do conteúdo técnico e da estrutura já reconhecida da instituição, encontramos também uma equipe muito capacitada, pronta para trocar informações. Viemos justamente para entender, absorver conhecimento e prototipar produtos, contribuindo com o desenvolvimento científico da nossa empresa e do setor industrial do Maranhão”, contou Alinne.

O objetivo do SENAI-MA é transformar ideias em produtos e processos, qualificar pessoas e adaptar linhas de produção para novos mercados, sempre com foco em tornar o Maranhão um polo industrial mais robusto. Para as empresas residentes, a vantagem é clara: acesso a competências técnicas e a ambientes de prototipagem que, isoladamente, seriam caros ou difíceis de mobilizar, e que agora estão próximos graças ao Programa de Inovação Aberta 2026, que vai até o final do ano.

O gerente da Unidade de Inovação do SEBRAE-MA, César Guimarães, esteve na integração e disse que com o Hub SENAI o ecossistema de inovação de São Luís ganha um instrumento fantástico para transformação de ideias, de negócios inovadores e soluções reais para a indústria. “Entendemos que esse é um momento oportuno para várias parcerias. Nós colocamos à disposição os nossos programas, as nossas soluções e todo o portfólio que o SEBRAE tem de inovação, empreendedorismo, para dar suporte a esses empreendedores que vão frequentar esse espaço a partir de agora”, frisou.

Nos próximos meses, os pares formados durante a integração devem começar a detalhar cronogramas, orçamentos e entregáveis dos projetos, com acompanhamento de mentores e possibilidade de buscar linhas de fomento disponíveis. A expectativa é que essas primeiras iniciativas sirvam de exemplo para ampliar a rede de cooperação entre indústria e inovação no estado, atraindo mais atores e incentivando cadeias produtivas locais.

 Informação: Fiema 

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