segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Com curadoria de Eucanaã Ferraz, a exposição revela uma Amazônia contemporânea, poética e fragmentada, em cartaz de 07 de outubro a 07 de novembro de 2026, no CHÃO SLZ, em São Luís (MA), com entrada gratuita.

O Chão SLZ, em São Luís (MA), recebe de 07 de outubro a 07 de novembro de 2026 a exposição “O mundo em trânsito de Marcone Moreira”, com curadoria de Eucanaã Ferraz.

A mostra propõe uma imersão no universo visual e simbólico do artista maranhense, radicado no Pará, cuja obra reflete o diálogo entre a paisagem amazônica, o cotidiano popular e as tensões de um mundo em constante transformação; além de ser um importante marco em sua trajetória, sendo a primeira exposição institucional no estado onde nasceu, o Maranhão.

A abertura acontece no dia 07 de outubro, às 18h30, no CHÃO SLZ, com a presença do artista. A noite reúne a visita à exposição e uma conversa entre Marcone Moreira e Dinho Araújo, que aproxima o público dos processos, materiais e percursos que atravessam a obra do artista.

A arte como arqueologia do presente

Marcone Moreira constrói sua trajetória a partir da paisagem de Marabá (PA) — cidade situada entre os rios Tocantins e Itacaiúnas, ponto de partida para uma poética visual que une o popular e o contemporâneo.

Segundo o curador Eucanaã Ferraz, a exposição percorre a noção de “mundo em trânsito”, em que materiais, linguagens e tempos se cruzam em constante mutação. 

A mostra se estrutura sobre a ideia de que a paisagem e a ruína são faces de um mesmo movimento: o da transformação e da sobrevivência.

“Marcone traduz a Amazônia não como cenário exótico, mas como território simbólico e universal

— lugar de cruzamentos, ausências e reinvenções”, explica o curador.

Entre linguagens, suportes e sentidos

A exposição reúne trabalhos de diferentes momentos da carreira do artista, traçando um panorama de sua pesquisa em torno dos materiais, da paisagem e das transformações sociais e simbólicas da Amazônia.

Entre as séries apresentadas estão Cruzamentos, composições feitas a partir de madeiras e parafusos de carrocerias de caminhões, que evocam o deslocamento entre rios e estradas, vida e morte, ausência e presença. Nas séries Páginas e Rotas, o artista cria arranjos cromáticos com madeiras de embarcações desgastadas, estabelecendo um diálogo entre o construtivismo brasileiro e o imaginário popular amazônico.

As pinturas de Travessias trazem figuras solitárias em embarcações, como metáforas da travessia humana entre o trabalho e a magia, a história e o mito. Nas obras instalativas, está Vertebral, uma grande escultura formada por hélices fundidas em alumínio, dispostas em movimentos sinuosos que remetem à força e à vitalidade da sucuri, símbolo ancestral da floresta e do corpo vivo da natureza; e Exaustos, instalação composta por porretes e cepos de madeira usados na quebra do babaçu e da castanha-do-pará.

Uma Amazônia plural e contemporânea

A exposição é um desdobramento de “Entre Ruínas: o mundo em trânsito de Marcone Moreira”, apresentada em 2025 na CAIXA Cultural de São Paulo, e propõe uma leitura da Amazônia como metáfora do Brasil contemporâneo, que é múltiplo, fragmentado, por vezes devastado, mas ainda pleno de potência criativa e ancestralidade.

A mostra convida o público a refletir sobre as relações entre paisagem e identidade, matéria e memória, levando a arte de Marcone Moreira a ser compreendida como um testemunho sensível de nosso tempo.

Sobre o artista: Marcone Moreira

Iniciou suas experimentações artísticas no final dos anos 1990 e desde então participa de exposições no Brasil e no exterior. Sua produção abrange diversas linguagens: pintura, escultura, vídeo, fotografia e instalação, com foco na memória e no deslocamento simbólico de materiais do cotidiano, que ele apresenta em novos contextos poéticos.

Entre suas principais exposições individuais estão “Território líquido” (Instituto Tomie Ohtake, 2015), “Marcone Moreira” (Paço Imperial, 2016), “Linhas de Força” (Palácio das Artes, 2017), “Exaustos” (Casa das Onze Janelas, 2018), “Conjunção” (Gomide, 2020), “Fraturas”, com texto crítico de Eucanaã Ferraz (Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro, 2024), e “Entre Ruínas: omundo em trânsito” (CAIXA Cultural São Paulo, 2025). Participou de mostras coletivas como o Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP, 2003), Os Trópicos (Martin-Gropius-Bau, Berlim, 2008), From the Margin to the Edge (Somerset House, Londres, 2012), VAIVÉM (CCBB, 2019) e da 6ª Bienal de Montevidéu (2025).

Foi contemplado com prêmios e bolsas, entre eles o Bolsa Pampulha, do Museu de Arte da Pampulha, em 2005, o Prêmio Marcantonio Vilaça (2010 e 2011), a Bolsa de Pesquisa Funarte (2013), a Bolsa Fundação Joaquim Nabuco (2014) e o Prêmio PREAMAR de Arte e Cultura (2020).

Em 2025, foi selecionado no edital da CAIXA Cultural São Paulo e no Programa Funarte de Difusão Nacional (Circuito Marcantonio Vilaça de Artes Visuais).

Sobre o curador: Eucanaã Ferraz

Rio de Janeiro, 1961. Poeta, professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e Consultor de Literatura do Instituto Moreira Salles desde 2010. Publicou diversos livros de poesia premiados no Brasil e em Portugal, e organizou obras de autores como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Vinicius de Moraes, Sophia de Mello Breyner Andresen e Carlos Drummond de Andrade.

Como curador, assinou exposições de Fayga Ostrower, Raul Mourão, Vicente de Mello, José Bechara e Chichico Alkmim, entre outros. Em parceria com Veronica Stigger, realizou Constelação Clarice (IMS, 2018–2022), eleita pela revista Frieze uma das dez melhores mostras do mundo em 2022. Sua atuação como ensaísta e pesquisador articula literatura, artes visuais e música em uma perspectiva integrada da criação artística.

Informação: Assessoria de Comunicação 

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