Assembleia Legislativa do Maranhão

quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Natural de Codó do Maranhão, Clemilton Ferreira Pacheco, filho de dona Joselina Ferreira Pacheco e do senhor Clemente Pacheco, nasceu em 01 de maio de 1977 e cresceu na cidade de São Luís. Clemilton sempre foi o mais diferente entre seus sete irmãos, e pensava em exercer uma profissão que estivesse relacionada à arte ou televisão. Com aproximadamente 17 anos, Clemilton começou a se descobrir profissionalmente, e decidiu ir atrás de uma profissionalização para atuar na área de sua vocação. Foi quando encontrou o Senac e fez o curso de Cabeleireiro. Desde então, sua carreira começou a deslanchar. Conhecido hoje como Cléo Pacheco, o hair style é uma grande referência na área de beleza na cidade, principalmente no universo das noivas.

Durante o seu crescimento, você e sua família enfrentaram dificuldades? Como foi essa época da sua vida?

Naquela época acho que não se relatava muito as dificuldades de uma família, meu pai pouco falava: hoje não têm dinheiro, hoje não tem o que comer… Naquela época a gente não sentia muito, acho que não tinha muito interesse dos jovens, das crianças em saber disso. Os pais escondiam muito, hoje acho mais claro os pais relatarem sobre o assunto, então eu não sentia dificuldades, mas com certeza meu pai teve dificuldades porque sustentou uma casa com 7 filhos, ele trabalhava muito. Ele não foi um pai ausente financeiramente, pois nunca tive problema de não poder comprar algo, tinha meu brinquedo, roupa nova, uma boa escola e nunca me faltou dinheiro para fazer um curso. Meu pai não deixou faltar nada pra gente, com certeza era difícil pra ele.

Onde estudou no Ensino Fundamental e Médio e o que achava da escola? 

Da 1ª a 8ª série estudei no Paulo VI, já no Ensino Médio fui para o Ronald Carvalho, ficava no Centro, acho que não existe mais. Na época, era uma escola de referência em tecnologia, acho que foi uma das escolas particulares que tinha curso de informática, eu fui na verdade fazer isso, pois gostava já de tecnologia da informação, aí fui para fazer o curso de informática lá, que era como se fosse um curso técnico. Eu gostava da escola, não gostava muito de estudar matérias pontuais como matemática, física, pois nunca foram minha praia. Gostava de história, comunicação, leitura, isso eu gostava muito.

Quais suas qualificações? você tem Ensino Superior?

Fiz o curso de Gestão de Pessoas pela UVA, e depois fiz Administração na UNDB, sou formado em Administração já há uns 3 anos.

O que gosta de fazer nas horas vagas?  

Gosto de cinema, de ficar em casa, gosto muito de malhar, praticar atividades físicas, na verdade, eu adoro.

Possui algum hobby? Qual?

Gosto muito de correr. Correr é um hobby para mim hoje, corro na litorânea, sempre que posso me inscrevo nessas corridas que tem paralelas.

O que sonhava em ser quando era criança?

Sempre gostei de arte, sempre. Era até um pouco criticado na época porque meu pai, que é comerciante, trabalhava com o que a gente chama de marchante, que é a compra e venda de gado, então meus irmãos foram todos para essa profissão dele, e eu queria algo diferente, queria alguma coisa com arte, com televisão. Queria muito trabalhar com Jornalismo, então eu escrevia muito, tinha revistinhas. Quando era criança eu já fazia revista, sempre gostei de moda, na minha família eu sempre fui o mais diferente, quem me apoiava mais era a minha irmã mais velha, que sempre me ajudou nos cursos, me deu apoio, porque eu não trabalhava e ela me ajudava a pagar os cursos.

Quando decidiu a profissão que queria seguir? 

Quando estava fazendo o Ensino Médio, eu já pegava o cabelo das minhas irmãs para mexer, da minha vizinha, sem saber de nada… nem tinha feito curso no Senac ainda, mas já pegava, já fazia uma trança, colocava elas nas pernas e assistindo novela ficava mexendo, sempre gostei.

Porque você escolheu fazer o curso de Cabeleireiro?  

Não dá para você trabalhar com cabelo sem ter um estudo, ainda existem na praça alguns comércios de meia boca, as pessoas podem ter o dom de fazer, mas hoje mudou muito, a tecnologia mudou muito. Você tem que ser bem assistido para poder executar, porque é uma profissão de risco, você está lidando com a vaidade, com a saúde, e eu acredito que quando você faz um curso especializado, o corpo docente tem um professor adequado para te ensinar como funciona o mecanismo daquilo. Tempo de duração de um produto, se o cabelo suporta, o fio, porque você está tratando com uma pessoa ali. Então quando você estuda, você tem mais firmeza do que está fazendo, porque você já viu aquilo na prática, alguém já te contou uma experiência, é importante. Hoje o mercado globalizou, você pode fazer um curso internacional sem sair da sua cidade, mas mesmo assim, a cada ano vou uma vez em São Paulo, e a minha equipe também está sempre fazendo novos cursos. Nas segundas-feiras, sempre trago um profissional de fora para falar um pouco sobre técnicas de produtos, e é necessário, é uma coisa que eu cobro da minha equipe. E enriquece, a cliente sabe, ela pesquisa, ela quer saber se você tem formação.

O que levou você a fazer um curso no Senac? 

Tinha que me profissionalizar, precisava fazer um curso técnico e com as pesquisas que fiz na época, o Senac era a escola que mais preparava, tinha outras escolas, assim em bairros, mas não era um curso que ia dar um certificado, porque todo mundo no salão de beleza perguntava se eu tinha um curso de Cabeleireiro e todo mundo queria ver o certificado. O Senac é uma instituição muito séria, e só emite certificado se você realmente assistir as aulas presenciais, caso contrário, você pegava falta. Fiz o curso para aprender a técnica, e foi o que me deu mais coragem para exercer a função.

Como soube da oportunidade? 

Pesquisa, pesquisando mesmo, hoje tem internet. Antes você tinha que ir até lá pegar a grade de cursos, hoje a internet mostra tudo.

Em qual ano cursou?  Quem foi o seu professor? 

Há uns 12 anos. Lembro do Barral, não sei se ele ainda está hoje, mas tive vários professores. Cada conteúdo era um professor diferente, então a gente teve vários módulos, de ética profissional, de qualidade no atendimento. Lembro que recebi um livro que falava tudo, de como funciona, se era isso mesmo que a gente queria, muita gente desistia na metade do curso, porque as pessoas acham que vão chegar lá já cortando e não é assim. Minha turma começou com uns 20 alunos, e foi encerrada com sete ou oito, pouquíssimos, e eram pessoas experientes, eu comecei nessa área bem jovem. Antes trabalhei como gerente de loja, fiz cursos lá no Senac também em outras áreas, fiz de atendimento ao consumidor, curso de vendas.

Quando fazia o curso, o que esperava para o seu futuro? 

Eu esperava que aquilo que ia me manter, queria ter uma empresa, sempre quis ser um cabeleireiro dono do meu próprio negócio. Não estava em busca de trabalhar para os outros, queria buscar experiências. Experiência de ter, responsabilidade de ter, tanto é que quando me inscrevi no curso de Cabeleireiro, a primeira coisa que comprei foi um lavatório, aí ficou lá na minha casa por um bom tempo porque eu não sabia mexer ainda. Mas eu sempre soube que era isso, fiquei um pouco com medo da família não aceitar, da sociedade não aceitar, eu cortava meu cabelo por R$ 5,00 no barbeiro, mas eu não queria ser barbeiro, não menosprezando a profissão de barbearia, eu queria ser era cabeleireiro mesmo, como a gente fala hoje hair style. Queria ser uma referência, aparecer no mercado, não queria ser só um cabeleireiro. Depois que comecei a usar o lavatório, algumas pessoas na minha rua já batiam na minha porta dia de domingo, e eu tinha vergonha de cobrar, mas as pessoas me davam R$ 10,00 ou 15,00, percebiam que eu tinha cuidado. Até hoje encontro clientes que falam que foram minhas cobaias, e eu digo “cobaia não, modelo”. 

Como você descreve seu crescimento profissional? 

De luta. As pessoas que me olham hoje, acham que eu peguei carona em algum trabalho e até perguntam se sou daqui de São Luís e eu digo que sou! As pessoas não sabem as histórias, são pouco clientes meus que se tornaram amigos por serem clientes há muito tempo, e que viram meu crescimento profissional, de onde vim, o que tenho hoje, eu só estou trabalhando da mesma forma, muito, todo o tempo. Claro que sozinho a gente não conquista tudo, tive que ter uma equipe profissional ao meu lado, ter uma família, fidelidade dos clientes. Trabalhei como assistente de um grande cabeleireiro da cidade por uns cinco ou seis anos, aí ele foi para outra empresa e eu fiquei tomando de conta desse salão que era dele, dois anos depois montei o meu salão e de lá pra cá foi só crescendo, graças a Deus. Comecei agora com o mercado de noivas que eu gosto muito, que é onde eu me posiciono melhor no mercado em São Luís, sou o “cabeleireiro das noivas”, mas também faço outras coisas, corto, faço escova, maquiagens, uma série de serviços.

Há quanto tempo possui seu próprio negócio? 

Meu mesmo, tomando de conta, com a gestão, tem nove anos. Estou há cinco anos com esse salão, meu primeiro salão foi lá no Rio Poty Hotel, fiquei lá durante quatro anos.

Em sua trajetória profissional, qual foi o maior obstáculo que enfrentou? 

O mercado. O obstáculo maior é o Brasil, como ele se encontra a cada dia. A gente tem que estar todo tempo sendo criativo, se reinventando, porque o brasileiro é muito consumidor, mas a gente não é tão aparado pelo governo, não tem alguém que nos dê o respaldo, um plano de saúde que cuida, um governo que dá incentivo, a gente tem que arregaçar as mangas. Então a situação em que o país se encontra é o que mais dificulta pra gente, pois é um sobe e desce de inflação, a gente cobra um preço e depois tem que baixar, o produto que chega para nós é importado e é caro, temos que trabalhar muito para conseguir pagar produto, mão-de-obra, então nos rebolamos para dar conta. Hoje a gente está fazendo de tudo para se manter, tem vários salões de beleza fechando, então minha preocupação hoje é em pelo menos ter um equilíbrio financeiro, porque eu tenho uma equipe de mais de 25 funcionários, é difícil manter essa equipe com a demanda que a cada dia está diminuindo.

Qual o seu diferencial como profissional?

Sempre busco coisas novas, o que está acontecendo fora do país, ou mesmo em São Paulo, no Rio de Janeiro. Sempre busco referências do que outros cabeleireiros em outros estados estão fazendo, quero sempre copiar, pois não sou contra copiar o que está dando certo. Tenho um jeito peculiar de atendimento, sempre penso que aquela cliente está me procurando porque ela quer um cabelo bonito e não quero que ela faça cabelo comigo porque estou pensando no dinheiro que ela pode me dar. Esqueço um pouco isso, quero só o bem estar da pessoa, penso sempre no cliente como pessoa, como é seu dia a dia, o que ele pode pagar, aprendi isso na minha profissão. Se a gente se relacionar bem, o cliente vai ser fiel, então sempre busco ser sincero, às vezes até “dou tiro no meu pé” porque sou muito sincero, sempre procuro perceber o que é bom para o cliente da melhor forma, é como eu gostaria que fosse pra mim. Não penso que a pessoa é um pacote de cartão de crédito ou de dinheiro, penso sempre no bem estar, talvez isso seja meu diferencial.

O que motiva você para realizar o seu trabalho?

Gosto tanto do que faço, amo o que eu faço! Não sei se faria outra coisa, estava até conversando com uma cliente que quando me aposentasse eu ia dar aulas, teria uma academia para inspirar novas pessoas, para fazer o que eu faço, o que eu sei fazer, principalmente pessoas mais carentes, que não tem oportunidade de trabalho como eu tive. Hoje a profissão valorizou muito, a gente vê, a televisão fez isso, as artistas fizeram isso. Hoje os cabeleireiros mais renomados da cidade são os que acompanham as artistas, então a profissão ficou no patamar, tanto financeiro quanto na valorização profissional, cresceu muito no mercado, tanto que o Brasil é o terceiro país que mais cresce em beleza, nós estamos em um lugar bem legal de consumo. 

Se fosse indicar o Senac para alguém, o que falaria à essa pessoa?

Bem, falaria sempre bem porque o Senac me abriu portas, o certificado do Senac me abriu portas. É uma empresa que tem seriedade, não dá para brincar. As meninas aqui que fazem curso lá sempre falam isso. Então eu indicaria para várias pessoas até para dar uma postura profissional, todo mundo que faz Senac eu acredito que tem essa postura profissional, de ética. Porque hoje você pode formar em qualquer lugar, mas a ética é o peso de uma formação, como o Senac, tanto é que não é à toa que ele está esse tempo todo no mercado, é porque tem realmente a dedicação, a seriedade no que faz, eu indico sempre.

Agradecemos a atenção e estamos à disposição.

Atenciosamente

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