Assembleia Legislativa

São João do Maranhão 2019

sexta-feira, 1 de março de 2019

O Carnaval de São Luís, um dos melhores do Brasil, é resultado da mistura de manifestações diversas que aconteceram, ao longo da história, tendo como resultado a mesclagem de brincadeiras com raízes em povos de origem africana, europeia e indígena. Mas nem sempre foi assim. O pesquisador Ramssés Silva afirma que as primeiras manifestações de Carnaval em São Luís devem ter aparecido entre o final do século XVIII e o início do século XIX com a brincadeira do entrudo, que pode ser explicado, de forma simples e genérica, como festa em que os brincantes lançavam, uns nos outros, farinha, baldes de água, limões de cheiro, luvas cheias de areia etc. 

O auge do entrudo, em São Luís, foi o início do século XX. Neste mesmo período, o historiador Ananias Martins afirma que começa, também, uma nova fase do que ele chama de Carnaval dos Cordões, que se estende até, aproximadamente, a década de 1970. Caracteriza- -se pelo enfraquecimento de brincadeiras como o congo, a chegança, o fandango e o coco, o desaparecimento dos autos e o surgimento de um conjunto de manifestações novas do tipo cordões, ranchos e corsos.

Os cordões eram formados por personagens como dominós, pierrôs, cruz diabos e os fofões, que convergiam, em cortejo, no centro da cidade. Já os ranchos, distinguiam-se dos cordões por serem acompanhados de instrumentos mais sofisticados. 
Em São Luís, eram famosos os cordões e os ranchos de ursos, apresentando autos com os ursos caprichosos, cachorros e outros personagens. O urso, também, tem um caráter carnavalesco de origem europeia que se adaptou ao clima maranhense.

BARALHO 

Outra manifestação central do carnaval maranhense era o baralho, descrito por Domingos Vieira Filho como grupos de pessoas sujas de tapioca de goma, empunhando sombrinhas e chapéus de sol desmantelados e sem pano, que percorriam as ruas em gritaria ao som de reco-recos, pandeiros e violões.

BAILES DE MÁSCARAS 
Em meados do século XX surge o carnaval nos clubes e os bailes de máscaras. As famílias de maior poder aquisitivo de São Luís passaram a organizar os bailes mascarados nos clubes e os corsos. Os bailes da alta sociedade aconteciam no Casino Maranhense, Lítero e o Jaguarema. Às vezes, grupos representando este e outros clubes e grupos, saíam em Corso pela cidade. 

Entre as pessoas de baixo poder aquisitivo, a animação ficava por conta dos chamados bailes de segunda. Entre os bailes famosos, destaque para o Berimbau, Baile do Bigorrilho, Saravá, Gruta de Satã, Rei Pelé e o Clube dos Sargentos e Subtenentes, no bairro do João Paulo. 

Todos esses bailes conheceram seu auge nas décadas de 1940 e 50. Em 1965, o prefeito Epitácio Cafeteira proibiu as máscaras, o que levou à rápida extinção dos bailes de máscaras na sua forma antiga.

CORSOS E A CASINHA DA ROÇA 

Corsos eram passeatas de veículos transformados em alegoria, com passageiros fantasiados, às vezes com banda. Organizaram-se desde o início da década de 1920 até o início da década de 1960 reunindo pessoas de maior poder aquisitivo. 

No entanto, um corso popular sobrevive até hoje. É a famosa Casinha da Roça, criada na década de 1940, a partir da brincadeira do tambor de crioula. É um caminhão que imita uma casa da roça ao som do tambor de crioula. Inspirou novos grupos de tambor de crioula que também saem num corso enfeitado como uma casa de palha, entre os quais Tijupá e Tapera.

TAMBOR DE CRIOULA 

É importante fazer uma referência ao tambor de crioula, uma antiga e tradicional manifestação da cultura popular do Maranhão. Suas origens remontam ao século XVIII, entre povos que vieram para o Maranhão na diáspora africana. 

É uma brincadeira dedicada, sobretudo, a São Benedito. Acontece em qualquer época do ano, mas é apresentada, com mais frequência, durante o carnaval e nas festas juninas. 

No centro histórico não é difícil se cruzar com uma coreira vestida a caráter, longa saia florida e blusa branca de brocado. A jovem Carla adotou o sobrenome para identificação pública. A disposição para a dança de Carla Coureira literalmente encantou o carrancudo Ariano Suassuna quando o pernambucano esteve de passagem pela Ilha de São Luís. Ela coordena a oficina Mulheres que dão no couro que acontece ao ar livre na Praça da Faustina. Ensina como tocar o tambor grande, meião e crivador, a chamada parelha do tambor de crioula. É uma troca do ritual tradicional onde as mulheres dançam e os homens tocam. “Desde criança aprendi a tocar com mestre Felipe”, resume Carla
Tão importante é o tambor de crioula no quadro cultural da cidade que há até um dia oficial de comemoração, por força de lei municipal: 18 de junho. São inúmeros os grupos, e sempre a cada dia está surgindo mais um. Durante o carnaval é fácil encontrar um deles.
BLOCOS TRADICIONAIS E ORGANIZADOS 

Em meados do século XX surgiram, também, outros tipos de blocos. Caracteriza-se por grandes tambores com uma batida própria, um samba de ritmo lento. Começou com jovens de maior poder aquisitivo que organizavam os blocos usando fantasias exóticas e rostos pintados. Entre os famosos estavam Curinga (Legionários), Pif-Paf, Mal-Encarados, Tarados e Vira-Latas. Hoje, são considerados grupo específico nos concursos carnavalescos promovidos pela Prefeitura de São Luís. São os chamados blocos tradicional e os organizados. 

O bloco tradicional é mais uma peculiaridade do carnaval de São Luís. Desde os anos 30 esses blocos aglutinam pessoas até fora da tempo - rada. Um desses grupos na história, já desaparecido, chamado Vira-Latas, se apresentava em clubes sociais e até em festas de aniversário.

E quem não vai querer sair acompanhando aqueles blocos multicoloridos ao som dos contratempos, tambores enormes de som robusto, pelas ruas calçadas de paralelepípedos ou cobertas de pedra cabeça de negro em São Luís. Todos querem. Lembra muito os entrudos, nos primeiros momentos do carnaval, no qual todas as classes se misturavam sem distinção.
VAGABUNDOS DU JEGUE 
Por Wellington Reis 

Os Vagabundos do Jegue originam-se da extinta Charanga “UNIDOS DO REGIONAL TOCADO Á ÁLCOOL – URTA”, campeã de títulos do carnaval de passarela, categoria BLOCOS ORGANIZADOS, na década de 70/80”
Foi criado à luz de uma frase proferida pelo Presidente do País, na época, João Batista Figueiredo, quando então dizia que “gostava mais do cheiro dos seus cavalos do que de gente”. Daí então, o compositor Wellington Reis – criador do URTA - já cansado das exaustivas competições, reuniu alguns amigos com os quais já antecipava o carnaval de rua, saindo na formação “blocos de sujo”, e, apresenta-lhes na sexta-feira magra de carnaval do ano de 1983, a sugestão de formar uma brincadeira que, em função da frase do Presidente, pudesse homenagear a sagacidade, hombridade e honestidade de certos políticos tupiniquins. Como fantasia, e, ultraje ao rigor, sairiam vestidos a caráter: Terno completo e/ou paletó. Teriam como líder um jumento, denominado FIFÍ – desinência de Figueiredo. Aprovada a ideia, marcaram a primeira saída para o próximo sábado gordo.

Às quatorze horas, em frente ao CEPRAMA, o grogue já corria solto por conta de algumas garrafas de Pitu com tira-gosto de testículos de boi fritos no azeite de dendê. Enquanto as meninas enfeitavam o jumento, a primeira ideia de banda musical rueira, na Madre Deus, ia sendo forma - da por um violão, cavaquinho, saxofone, trombone, trompete, sanfona e quatro percussões. Ensaiando e cantando marchinhas, especialmente, compostas para a ocasião, cerca de vinte “vagabundos” devidamente ultrajados já se aglutinavam em torno do seu líder, o poderoso Fífi, que trazia em sua garupa dois cofos de palha para amealhar, durante o percurso, as bebidas que seriam solicitadas aos donos de quitandas e congêneres a troco da presença da brincadeira em seus estabelecimentos. 

Quatro horas da tarde o primeiro tiro de foguete pipocou pras bandas do Ta - mancão, anunciando a partida dos Vagabundos do Jegue, criado para atiçar o Carnaval de Rua de São Luís. Subindo o Beco dos Reis (Lúcio de Mendonça), Ari Borges, o quitandeiro mais antigo da Cidade – ainda em atividade – entra para história, entregando uma garrafa de Pitu com rolha de cortiça e um litro de Cal - dezano. Pelo feito ganha uma marchinha de improviso, inaugurando o que seria a marca registrada do Bloco, daí em diante: Eu sou Vagabundo do Jegue/Se peço e grogue e cigarro, a você/Não negue, não me negue/ Eu era sócio do FMI/ Muito amigo do Delfim/Agora, estou só, com o Fifí/ Meu jegue/Viva Fifí!/Quem entra neste bloco, não pode sair.

Após percorrer todo o bairro da Madre Deus e adjacências o Bloco de Sujo mais chique da Ilha retorna à calçada do CEPRAMA, às vinte e uma horas, com trinta e duas garrafas de bebidas e arrastando uma multidão, cantando: “Ai, ai, ai/ Eu vou descer pra cidade/ Eu vou mostrar pra essa gente/ O que é sambar de verdade”... Salve Cristóvão “Alô! Brasil”.

OS FOLIÕES: O BLOCO MAIS BONITO DO BRASIL, CAMPEÃO DA CULTURA BRASILEIRA EM 2018

Essa turma sempre esteve em plena alegria e felicidade. Aliás, não poderia haver nome melhor para identificar essa família, que vive o ano todo em uma grande fo - lia: Os Foliões. O nome dado pelo saudoso Mestre Walmir (fundador do bloco) veio como medida. 

O mais premiado representante do carnaval maranhense conquis - tou dois valiosos prêmios nacionais em 2018, fruto do árduo sério e dedicado trabalho sociocultural promovido durante o ano inteiro. 
Sim, Os Foliões não é somente carnaval, mas uma entidade policultural que possui ações, projetos e atividades para todas as épocas do ano. 
Os Foliões trabalham, ainda, para representar o Brasil no famoso Festival Internacional de Folclore “ASHPA SÚMAJ, realizado na Província de Santiago, na Argentina, para 2020, tem presença confirmada no Festival Internacional de Folclore de Portugal.

Vale lembrar que Os Foliões, com seus espetáculos folclóricos, já representaram o Maranhão em festivais por todo o país, além de Estados Unidos, Canadá, França (Copa de 1998) e Bélgica, além de exposições na Argentina, República Tcheca, Finlândia, Portugal, Espanha, Perue Bolívia. 

Em 2019, o bloco homenageará o escritor Monteiro Lobato, um dos mais geniais escritores infanto-juvenis do mundo inteiro, que soube como ninguém mesclar o universo cultural do Brasil com a literatura e a arte popular universal. Visconde de Sabugosa e As Aventuras de Monteiro Lobato. A Turma do Sítio Apronta e Os Foliões Faz de Conta é o interessante tema, que promete muitas surpresas para encantar por onde o bloco se apresentar. 

Os autores são o produtor Fábio Moraes e o jornalista Joel Jacinto. O belo samba-enredo é de Luzian Filho e Josias Neto, sendo interpretado pela dupla vencedora Ivan Coracinha e Tunay Moura. Fantasia de Cássio de Jesus. A bateria nota 10 comandada por Cláudio Mendes. A presidente é a Sra. Wilna Moraes Corrêa. A produção dos projetos cabe a William Moraes Corrêa. No carnaval, a montagem artística é de Fábio Moraes, com a linha de produção assinada por Rubenir Serejo. A matriarca da Família Foliões é a Sra. Aldenora.

TRIBOS DE ÍNDIOS 


Apareceram, na década de 1950, em vários bairros da área central da cidade. 

Foram influenciados pelos filmes americanos de bangue - -bangue. Eram conhecidos como Apache e Sioux, abrasileirando, depois, para Tupis, Carajás e Upaon-Açu. 

Durante o carnaval, a antiga Upaon-Açu (grande ilha) lembra seus primeiros habitantes: aqueles que habitavam a grande ilha e os que se espalharam pelo litoral do continente e interior do Ma - ranhão. São as tribos de índios de São Luís, com sua batuca - da frenética, as preferidas pelas crianças que estão em maioria na formação. Os grupos geralmente não passam de 40 pessoas, entre bailarinos, intérpretes nos rituais e músicos.


Muitos das tribos existentes atualmente têm sede ou surgiram no bairro da Madre Deus. São de lá tribos como a Guarany, funda - da em 1978 pelo lendário José Ribamar Alves, o Zé Ilha, grande guerreiro da cultura popular. Seu nome é ligado a antigas tribos como a Sioux, legado da época de ouro de São Luís que através - sou várias décadas com marco inicial no tempo em que a cidade desfrutava da condição do terceiro melhor carnaval do país.

FIGURAS CARNAVALESCAS 


Destaque para o Fofão, espécie de pierrot adaptado a realidade do Maranhão. 

Ramssés Silva destaca que algumas figuras carnavalescas brincaram na cidade, no século XX, como o Urso, o Esqueleto, o Cruz-Diabo e a Índia Potira.


O fofão é um palhaço vestido de imenso macacão de chita colorida, com guizos e máscara de papel, grude e palha. Esse personagem tenta convencer os transeuntes a pegar uma boneca que carrega. Se a pessoa pegar a boneca, é obrigada a pagar uma prenda em seguida. O fofão é uma espécie de curinga que cabe em qual - quer outra manifestação carnavalesca da cidade. Apesar de sua longínqua origem europeia, acabou tornando - -se símbolo do carnaval maranhense, com linguagem corporal muito específica, com saltos, paradas e gemidos.

ESCOLAS DE SAMBA 


O desfile das escolas de samba de São Luís é quase tão antigo quanto o do Rio de Janeiro. 
Algumas escolas foram fundadas na primeira metade do século XX, a exemplo da Turma da Mangueira (1928) e Flor do Samba (1939). 
A Turma Quinto é de 1940; Favela do Samba, de 1951; Marambaia do Samba, de 1954; Unidos de Fátima e Império Serrano, de 1956. 

A história da Mangueira, a mais antiga escola de samba do Maranhão, é a mais interessante. O nome da escola não é uma referência a escola de samba Mangueira, do Rio de Janeiro, como alguns pensam e sugerem. Tem a ver com a fundação da escola, que aconteceu debaixo de uma mangueira, onde a escola foi criada, em 1928.

O primeiro concurso de carnaval foi organizado pelo Instituto de Beleza Vênus, em 1940. Ali participaram indistintamente turmas e blocos de samba. Na década de 1960, o desfile das escolas de samba era na Avenida Camboa, em frente à TV Difusora. Em 1979 foi para a Avenida Senador Vitorino Freire, na parte de baixo do Viaduto do Monte Castelo e em 1980 foi para a Praça João Lisboa. De 1981 a 1988 foi na Praça Deodoro e, atualmente é no Aterro do Bacanga, na área do Anel Viário.

FUZILEIROS DA FUZARCA 83 ANOS 


Bloco tradicional da Madre - deus, Fuzileiros da Fuzarca, fundado em 1936. Destaca-se como expressão a parte, pela qualidade do batuque e singularidade dos instrumentos. Chegou a ficar meio esquecido e foi revitalizado, a partir de 1987. O repertório é formado por sambas de compositores locais e marchinhas antigas. 
Nas raízes carnavalescas do Maranhão o bloco Os Fuzileiros da Fuzarcas são verdadeiros guardiões. 
Nostálgicos, carregam consigo o espírito da renovação que impulsiona novas gerações ao agrupamento e relação de afeto com Momo. Pandeiro, cuíca, retinta, marcação, tarol de mão e afoxé fazem a trilha sonora para os sambas de Zé Pivó, Betinho e outros bambas. 

Herança dos antigos carnavais, Os FF são presença viva no circuito carnavalesco na temporada pré e nos dias tradicionais de Momo em São Luís. Desde que saiu pela primeira vez, em fevereiro de 1936 arrastado por figuras como Cristóvão Colombo Alô Brasil, Vadico, Henri, Astrogildo, João Piche, Vitório Sabiá, Sabiá (Jouberth Queiroz Almeida), José Evaristo Carnavalho (Zé Toinho), Roseno, Sabará, Sandoval e outros que foram e assim são ilustres do samba da ilha, nunca mais os FF deixaram de participar da folia em corpo ou alma. 

No entanto, desfilam em preto & branco. Essas cores vieram da homenagem que o bloco carnavalesco fez a uma moça escolhida para ser a primeira rainha do FF que veio a falecer às vésperas do carna - val. Não teve outro jeito de sair no carnaval a não ser com o sinal do luto: camisa nas cores preto e branco. Os efes sempre em preto. Em tudo até no porta estandarte. 

Os Fuzileiros da Fuzarca tem samba e sambista em sua história. Preservando as antigas batucadas, o bloco é formado por pessoas que passaram dos 60 e jovens que se deliciam com a doce melodia de velhos carnavais.

BLOCOS AFROS 


A predominante presença do negro no Maranhão não deixou de demarcar um território cultural incontestável. São os negros responsáveis pelo som dos batuques que ecoam no estado. Assim, no carnaval desde tempos ancestrais são os negros que inflamam a festa. Os blocos afros são fenômenos no carnaval de São Luís praticamente recentes. Surgiram no início dos anos 80, puxados pelo Centro de Cultura Negro, um núcleo de militância da conscientização étnica com viés política, reivindicatório do poder, e de pesquisa sócio-cultural sobre a população negra no Maranhão. 


O primeiro bloco afro surgido no carnaval de São Luís foi o bloco Akomabu (a cultura não pode morrer). Em fevereiro de 1984 desfilou pela primeira vez, constituído por pessoas que participavam de escolas e blocos que sentiram a necessidade de uma agremiação carnavalescas que expressasse a consciência negra e promovesse o resgate histórico da população durante o período de festa, chamando atenção do público.



Outros Blocos Afros: 
AbiyêyêMaylô A ruanda Omnirá Juremê Didara Netos de Nanã Garotinhos Beleza

BICHO TERRA 

Três décadas dedicadas à recuperação do verdadeiro Carnaval de Rua no Maranhão 


A recuperação do antigo Carnaval de Rua vem crescendo nas cidades do Estado do Maranhão desde o início da década de 1990. Durante o período de Momo, ano a ano, as vias públicas vêm sendo ocupadas por manifestações populares autênticas, até aquela data praticamente relegadas ao esquecimento: bandos de mascarados, blocos de sujos, grupos de batucada... São infinitas as expressões de criatividade reunindo as pessoas em busca de alegria, descontração e divertimento. 

E um dos grandes responsáveis por esse verdadeiro renascimento do Carnaval pé no chão está completando três décadas de apresentações. Trata-se do Grupo Carnavalesco Bicho Terra, com suas múltiplas cores, diversos personagens e músicas inéditas revitalizando uma folia até então em processo acelerado de pasteurização. O sucesso de público e a repercussão na mídia provam o acerto da agremiação, transformada em símbolo de luta e resistência na valorização das tradições.


O colorido das fantasias e vestimentas dos participantes traz significados especiais: o verde está relacionado à riqueza representada pela flora e fauna das florestas; o azul, com a importância da água para a vida na face da Terra; o vermelho, com a força do elemento fogo na existência do ser humano; o amarelo, com a luminosidade do Sol cruzando uma atmosfera límpida, sem poluição; o preto, como pano de fundo de um Céu estrelado, retratando o infinito das criações dos deuses...
Na trilha sonora do Bicho, o compositor, Poeta Luiz Bucão, diretor artístico, Zé Pereira Godão e os cantores Roberto Brandão e Inácio Pinheiro
Outras representações decorrem dos bichos específicos incorporados aos enredos desenvolvidos pelo Bicho Terra. A lista inclui o Bicho Primavera, chamando atenção para a importância da renovação da vida; ou o Bicho Juçara, usando as características únicas deste fruto presente apenas no Norte de Nordeste do Brasil para espelhar nativos do Estado do Maranhão, conhecidos como maranguaras; o Bicho Louva a Deus, símbolo da esperança permanente no nosso povo sofrido. 

Nestes seus quase 30 anos de existência, o Grupo Carnavalesco Bicho Terra também assumiu um caráter de Bicho Viajante, tanto dentro do País quanto para fora dele. Em agosto, parte para sua décima- -oitava excursão internacional. Junto com o Boi Barrica, outra grande expressão popular do Estado do Maranhão, foi convidado pela Federação Brasileira de Artes Populares para levar seus figurinos, gingados, músicas e ritmos a festivais na Europa, uma Hungria e outro na Suíça.

Texto e fotos extraídos: Revista Maranhão Turismo, edição, janeiro/fevereiro de 2019

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