Assembleia Legislativa

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O Bumba-meu-boi está no sangue e na alma dos maranhenses que, no próximo sábado, dia 27 de julho, estarão reunidos na 25ª edição  do Festival de Bumba-Meu-Boi de Zabumba, na capital São Luís. Este ano, os homenageados são o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e mestre Marcílio Costa Rodrigues, dono do Boi Novo Capricho. Nesta edição tão festiva, o organizador Basílio Costa Durans lembra que, em 1995, os grupos de Bumba-meu-boi de São Luís estavam sem palco para se apresentar durante a quadra junina. Foi quando mestre Basílio teve a ideia de criar um espaço onde o sotaque de zabumba fosse o protagonista: assim nasceu oFestival.

Segundo ele, a homenagem ao Iphan é um agradecimento ao que vem sendo realizado pela salvaguarda desta tradição. “Uma instituição [Iphan] que tem muito a ver com nossa luta, nosso trabalho. A gente tem um trabalho em conjunto pelos grupos de Bumba-meu-boi, trabalho da salvaguarda. Então, a gente achou que é uma instituição importante de se homenagear”, explica o dono do Boi de Zabumba do Maranhão do Mestre Basílio. 

Em 2019, o festival vai reunir 16 grupos de Bumba-meu-boi de Zabumba da capital São Luís e do município de Guimarães, Norte do estado. A vitalidade da manifestação, contudo, já esteve ameaçada, como lembra mestre Basílio. “A gente chegava nos arraiais e via a dificuldade que tinha para o grupo ser contratado. Quando começava a apresentação, as pessoas iam saindo”, conta. “Hoje, o povo para pra assistir o boi de zabumba. Foi uma forma de reanimar, uma resistência. Talvez, se não tivesse festival, hoje teríamos apenas três ou quatro grupos em São Luís.” 

A mostra não é competitiva. Ao final das apresentações, os 16 grupos receberão um troféu pela participação em mais uma edição nas ruas do bairro Monte Castelo. O local em que o festival é realizado, por sua vez, é uma reconexão com a ancestralidade do boi: a avenida Newton Belo, no bairro, era conhecida como Areal, onde muitos grupos de boi já se apresentaram. Dada a importância da iniciativa para a cultura maranhense, em 2016 o festival recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Iphan, maior premiação no campo do Patrimônio Cultural no Brasil. 

Bumba-meu-boi

Teatro, dança e música, mitos e saberes compõem o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão (pode incluir o link do registro), bem registrado como Patrimônio Cultural do Brasil, inscrito no Livro de Registro de Celebrações em 2011. Com matrizes no catolicismo popular e no cristianismo, o Bumba-meu-boi envolve a devoção a santos juninos como São João, São Pedro e São Marçal, mas também inclui cultos afrorreligiosos maranhenses como o Tambor de Mina e o Terecô, invocando um panteão de orixás, voduns e encantados nas celebrações que percorrem o estado.

O sotaque de zabumba ou Guimarães, protagonista do festival, é uma das singularidades do Complexo do Bumba-meu-boi. Destaca-se pelo ritmo acentuado, cujo elemento central é a zabumba, instrumento musical com feito em madeira e membrana de couro, ressoando um timbre grave. Esse sotaque também tem como característica o uso de pandeirinhos e maracás, resultando num ritmo acelerado e na dança composta por passos curtos. Além do zabumba, há os sotaques da ilha ou matraca, curupuru ou de costa-de-mão, da baixada e de orquestra. Há ainda grupos de boi que possuem estilos distintos distribuídos pelo interior do Maranhão.

Serviço: 

Festival de Bumba-Meu-Boi de Zabumba
Data: 27 de julho de 2019, às 21h
Local: avenida Newton Belo, bairro Monte Castelo, São Luís (MA)

Informação: Iphan Nacional 

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