Assembleia Legislativa

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Quando eu tinha 7 anos eu tinha uma apaixonite pelo Sidney Magal. Não consigo entender vendo-o hoje cantar “Santa Rosa Madalena”. Me pergunto: Como assim? Como eu pude gostar daquele homenzarrão meio cigano, meio brega? Mas eu adorava... Até chorava quando o via cantar no Chacrinha, de tanta tietagem. Sabia todas as letras, tinha os discos e mamãe me deixava dançar imitando ele. Foi embalada ao som dos hits dessa figura que conheci a paixão.

Paixão é assim, não tem idade nem o porquê. Você às vezes se apaixona por coisas tão bobas aos olhos dos outros e pra você aquilo é tão significativo, não é mesmo?

A paixão se instala no coração da gente que não há reza braba que tire. Pode demorar meses, anos, anos bissextos... O que acontece é que as paixões antigas podem ser   substituídas por novas paixões. Aí seu coração continua agitado e eu acho isso uma delícia. Consigo me apaixonar até por canetas, mas gosto de ter o coração palpitando por uma boa causa.

Depois do Sidney Magal, me apaixonei por um garoto da escola. E nesse quesito, quem nunca se apaixonou por um amiguinho ou amiguinha? Pois é. Esse danado nunca olhou na minha cara. Sentávamos até perto. Jogava meu charme infantil e nada! Ele andava meio de chamego com uma outra menina da sala.Foi a primeira vez que meu coração se partiu!

A paixão pelo cantor famoso não decepciona porque você sabe que existem outras tantas no mesmo barco, mas com um amiguinho? Poxa...

Quando a Turma do Balão Mágico lançou a música “Se Enamora”, lembro de cantar a música em frente ao espelho da antiga penteadeira da mamãe e fazer um pente qualquer de microfone.

Pensava no colega de classe e dava um aperto no coração. Até sonhava com ele me tirando pra dançar... ai, como essas paixões arrasam com a gente...

Dessa época, até a paixão evoluir pro âmbito internacional, foi um pulo! O grupo Menudo, febre latinoamerica, era uma paixão sem tamanho. Imaginava o Robby Rosa se apaixonando por mim, falando com aquela voz fina e macia que eu era a garota dos seus sonhos. Até fazia roteiros de filme de sessão da tarde detalhando como íamos nos encontrar. Como a gente é bocó quando se apaixona, né?

Somos capazes de imaginar absurdos e mais absurdos. Mas no pensamento tudo é possível. Não há limites para a paixão!

Achava a coreografia de “Não de reprima” um espetáculo, pode?

Nesse meio termo, vieram outras paixões menos arrebatadoras, por outras bandas nacionais tipo o Grupo Dominó. Mesmo com menor intensidade, essa paixão me fez ir a um show antológico em São Luís no estádio Castelão e ainda me fez escalar um fosso de 5 metros para chegar mais perto deles. Se paguei alguns micos na vida, tai um ótimo exemplo!

Já tinha passado dos 15 anos e invoquei com um menino do terceiro científico. As meninas de um modo geral adoram homens mais velhos nessa fase. Não entendo o motivo, já que nesse caso, novamente, ele nem sabia da minha existência. Cheguei ao cúmulo de pedir pra ele tirar uma foto comigo. Só pra eu ficar olhando... Micão também!

A paixão tem muitas facetas. Nesse mesmo período, tive o primeiro namorado. Desajeitada, inibida e sem muito traquejo com o assunto, logo, logo o namoro terminou.

Sem perder muito tempo (nessa época não perdemos muito tempo com esses assuntos), engatei um outro namoro que durou o tempo suficiente de me deixar um pouco incrédula com as paixões. Talvez a infidelidade do namoradinho tenha sido um pouco traumática, mas a vida, que é uma beleza, foi me dando alternativas e eu fui me apaixonando pela própria vida, pelas viagens, pela música, pelas artes e pela cultura do Maranhão. Também comecei a gostar muito de ficar com meus amigos. Fui escolhendo melhor quem entraria no círculo de amizades e a coisa foi ficando gostosa e divertida.

Depois disso, me apaixonei por mim! Comecei a fazer alguns programas solitários, comecei a achar que aeroporto era um bom lugar pra se estar lendo, embora hoje desabone essa ideia.

A fase adulta me deu uma excelente oportunidade: escolher as paixões. Além dos amigos e da minha família, me apaixonei pelos meus alunos e pelos meus afilhados. E na vida eu optei por ter novas paixões e mais paixões e outras paixões e quero ter muitas paixões a cada amanhecer.

Até chegar na fase atual: a do amor...

Texto Originalmente publicado na Edição N° 89, setembro 2011 do Jornal Cazumbá
Foto Ilustrativa/Internet

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