quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Nesta quinta-feira, 22 de outubro, completam 30 anos da morte do poeta, jornalista, educador e historiador Carlos Cunha, um dos grandes ativistas culturais de seu tempo no Maranhão que partiu em 1990, aos 57 anos. Para homenageá-lo, jornalistas, poetas, músicos e declamadores farão um recital on line, na sexta-feira (23/10), com transmissão às 20h, pelo canal do projeto Inspire e Comunique no  You Tube.

O recital foi idealizado pelas jornalistas Wanda Cunha (escritora, poetisa e filha do homenageado), Franci Monteles e Yndara Vasques e o poeta e compositor, Paulinho Dimaré. O evento conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura. 

Carlos Cunha dá nome a uma das vias mais movimentadas de São Luís, a Avenida professor Carlos Cunha, no bairro Jaracaty, que liga a cidade antiga à parte nova, na confluência com outros dois imortais das letras: a ponte Bandeira Tribuzzi e Avenida Ferreira Gullar. 

Com mais de 26 obras publicadas e algumas reeditadas, Carlos Cunha, atuou de forma direta na cultura do Maranhão e coexistiu como se fosse muitos. Em sua obra de memórias, intitulada O caçador da Estrela Verde, escrita em 1986, o próprio autor descreve-se como: o jornalista, o intelectual e o boêmio, o historiador e o educador. 

Ingressou no jornalismo aos 17 anos, no “Jornal Pequeno”, iniciando como repórter. Escreveu também para os jornais “Jornal O Dia”, “O Imparcial” e colaborou por quase 30 anos para “O Estado do Maranhão. Redigiu editoriais para a Radio Timbira, Emissora Oficial do Estado e fundou o seu próprio jornal na década de 80 com o nome “Jornal Posição”, com o slogan de “o jornal que não suja as mãos, nem a consciência”. 

Na literatura, estreou em 1967, com o livro “Poesia de Ontem”. Entre outras obras estão: “A Páscoa das Gaivotas”, pesquisa sobre as artes plásticas maranhenses e “Eu e a Academia Maranhense de Trovas”, um registro do nascimento da trova no Maranhão. 

Considerado um jornalista polêmico, pois com suas crônicas, combatia o sistema e os malversadores do dinheiro público, era também um poeta romântico-simbolista que incentivou jovens escritores e defendeu os direitos da sociedade. Tais características renderam-lhe dois cognomes: boca do inferno, numa analogia ao Gregório de Matos, e O Caçador da Estrela Verde, em ressonância ao seu livro de memórias publicado ainda em vida, em 1986. Assim, inspirou inimizades, mas também angariou amigos e admiradores. “Carlos Cunha não pensava só nele. Incentivou novos talentos, lançando diversos autores nas Edições Mirantes, selo editorial que ele criou para divulgar seus contemporâneos”, conta a escritora Wanda Cunha. 

Além do jornalismo e literatura, também contribuiu com a educação maranhense como professor e fundador do “Colégio Nina Rodrigues”, localizado na Rua do Sol. “Carlos Cunha foi um excelente educador e ajudou muitos alunos no Maranhão, até mesmo aos que não tinham condições de estudar, eram acolhidos.  Era um historiador extraordinário, um trovador maravilhoso, sonetista excelente, um declamador maravilhoso”, observa o jornalista e poeta João Batista do Lago.

Formado em História e Geografia pela Faculdade de Filosofia do Maranhão, o menino de origem humilde que foi ajudante de pedreiros e vendedor de café, tornou-se um imortal da Academia Maranhense de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão; pertenceu à Academia Brasileira de Trovas, à União Brasileira de Escritores e à Associação Brasileira de Imprensa e outras instituições nacionais.  

Em 1968, fundou a Academia Maranhense de Trovas, da qual foi presidente. Também vitalizou a Associação Maranhense dos Novos, incentivando seus contemporâneos em suas Edições Mirante, resultando mais tarde em subsídios para a sua antologia, Poesia Maranhense Hoje ou Cinquenta anos de Poesia, comparável a Novos Atenienses, de Antônio Lobo. 

Serviço

O quê: Recital Poético em homenagem à Carlos Cunha

Quando: 23/10/2020 – 20h 

Transmissão ao vivo pelo canal no You Tube: Inspire e Comunique


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