O Carnaval é memória em movimento, identidade compartilhada e linguagem viva. Nesse cenário simbólico uma pesquisa se debruça no icônico e emblemático personagem do fofão para analisar a brincadeira, sob a ótica da cidade de São Luís. Intitulada 'O Fofão Ludovicense entre Memória e Identidade Cultural: da Análise Ortográfica à Exposição Artística como Artefato de Comunicação”.
O estudo desenvolvido pelo pesquisador Dalton Costa das Chagas, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), propõe enxergar o personagem como fenômeno artístico, social e comunicacional, que atravessa gerações, atualizando-se sem perder suas raízes.
A pesquisa se fundamenta nas vertentes da memória e identidade cultural, utilizando a ortografia como metodologia central.
Essa abordagem permite que o pesquisador atue simultaneamente como artista, pesquisador e professor, integrando a prática criativa à investigação acadêmica. Para além da análise teórica, o estudo investiga o fazer artístico em si.
“É uma observação de como a confecção das máscaras, com a técnica da papietagem e a performance do personagem como um todo, produzem sentidos sociais, vínculos comunitários e conhecimento”, ressalta o pesquisador Dalton. Nesse contexto, o fofão ludovicense torna-se um artefato vivo de comunicação, onde criar também é pesquisar.
Longe de ser apenas uma fantasia curiosa ou um personagem mascarado, o fofão é compreendido na pesquisa como um potente dispositivo de comunicação, capaz de mobilizar memórias, afetos e sentidos coletivos. É justamente essa vitalidade, esse constante diálogo entre passado e presente, que torna o fofão um objeto tão instigante para a pesquisa acadêmica.
Desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional em Comunicação (PPGCOMPro/UFMA), o estudo tem orientação do professor doutor Ramon Bezerra Costa e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).
Iniciado na graduação em Artes Visuais, o trabalho se consolidou no mestrado, aprofundando reflexões sobre a dimensão simbólica do fofão ludovicense. Enquanto na graduação o foco recaía sobre as transformações materiais e industriais do figurino, a pesquisa atual avança para a comunicação como produção de sentido.
O estudo identifica o personagem como um catalisador de vínculos sociais, onde o gesto e a estética do personagem articulam a existência do 'comum' entre o público e a performance. Dessa forma, o registro se firma como uma investigação aplicada sobre um artefato vivo que inspira, transforma e se movimenta no tempo.
O resultado do trabalho culminará em uma exposição artística, transformando dados acadêmicos em uma experiência sensorial e estética aberta ao público. A mostra vai funcionar como artefato comunicacional, reforçando o fazer artístico como ciência aplicada, fluxo comunicativo contemporâneo e tecnologia social sustentável.
Ao registrar processos, gestos e técnicas, a pesquisa contribui para valorização do patrimônio imaterial maranhense e para a preservação da memória coletiva ligada ao Carnaval.
O pesquisador enfatiza a relevância do apoio da Fapema para realização do trabalho. “Estudar o fofão é investigar a própria dinâmica cultural do Maranhão, unindo arte, comunicação e memória viva. Esse incentivo permitiu transformar uma vivência construída ao longo de décadas em conhecimento científico, que retorna à sociedade em forma de reflexão, valorização cultural e experiência estética”, avalia Dalton Chagas, sobre transformar uma vivência de mais de 30 anos em um estudo sistematizado, garantindo infraestrutura para a futura exposição.
Informação: Governo do Maranhão
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