Assembleia Legislativa do Maranhão

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Uma história de conquistas por meio da educação. É o cenário encontrado na comunidade Eugênio Pereira, originária  de uma ocupação.  Essa história ganhou mais um capítulo. Na última sexta-feira (16/11), professores, pais e alunos receberam do pianista Marcelo Braga, filho de maranhense e que há 30 anos mora na França, a quantia no valor de R$ 6 mil para organizar a Oficina de Música da Escola. A verba foi arrecadada por meio do concerto beneficente “Circunstâncias”, realizado na Escola de Música Lilah Lisboa, no início de novembro.

“Montaremos uma orquestra de Violão, já temos a de Flauta Doce, comemora uma das principais entusiastas dos projetos pedagógicos na escola com reflexos na comunidade, Maria do Carmo Vasconcelos. Para o estudante Carlos Bruno Lopes, o momento é único e aguardado com muita expectativa. “Nosso aprendizado é por meio da arte e a oficina de Violão vai incentivar ainda mais essa curiosidade em conhecer coisas novas”, comemora. “Quando a comunidade se organiza, ela se torna agente de mudança, de transformação da própria realidade. A comunidade Eugênio Pereira quis fazer a diferença por meio da educação. Nós escolhemos ser parceiros do conhecimento porque nós entendemos hoje que sim, nós temos direitos como cidadãos”, enfatizou Maria do Carmo.

Arte para ensinar


Bruno, Gyovanna Almeida, Thais Costa (presentes na apresentação do concerto) e os outros 360 alunos da Escola Eugênio Pereira participam de um projeto diferenciado de aprendizado. Pelos nuances da arte, eles aprendem a importância da cidadania. O Eduque, projeto que combina poesia, teatro e dança, vai além dos muros da escola. De acordo com a professora Luciana Moreira, os pais são envolvidos nesse  processo por meio das Rodas de Leitura . “As crianças levam atividades lúdicas para casa que envolvem os pais e levam  ao aprimoramento do conhecimento, a reflexões”, explicou a professora.


São quase 20 anos de resistência. Alguns dos integrantes das  700 famílias, que lutam pela regularização fundiaria da comunidade Eugênio Pereira, aprenderam a lê ou aperfeiçoaram a leitura incentivados pelos próprios filhos por meio do projeto Eduque.  “Percebemos que era preciso ampliar o sentido da ocupação, era preciso levar e aperfeiçoar conhecimento. O meio encontrado foi a arte”, explica Maria do Carmo. Pais e filhos passaram a debater, primeiramente em casa, a leitura de determinado livro e depois, as rodas eram apresentadas para toda a sala de aula. “Isso trouxe a reflexão e alimentou a resistência para continuarmos na luta pelo território”, complementou.

Um diferencial no aprendizado percebido pelo pianista Marcelo Braga,  que é professor da Ecole Nationale de Musique de Paris. “A maneira do conhecimento ser repassado por aqui, por meio da arte, modifica completamente a noção de vida de uma criança”, finalizou.

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